A operação da Polícia Civil realizada em 1º de junho teve como alvo repartições da Prefeitura de São Paulo e a sede da produtora do filme Dark Horse, que retrata o atentado a faca contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pelo programa de Wi-Fi gratuito da cidade.
O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme. A polícia suspeita que recursos desviados do programa de internet possam ter sido transferidos para a produtora.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) criticou a operação e sugeriu que ela possa ter motivação política por causa da ligação de Karina com o filme sobre Bolsonaro. Segundo ele, se a investigação estiver relacionada à produção cinematográfica, isso configuraria perseguição política e desrespeito à democracia.
A operação incluiu buscas na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. Após a ação, integrantes da prefeitura informaram que os documentos recolhidos eram públicos e já haviam sido enviados anteriormente aos investigadores. Nunes afirmou ter solicitado revisões do contrato e disse que sua equipe não encontrou irregularidades no processo de contratação.
A Polícia Civil, porém, aponta indícios de problemas na seleção da entidade, que não tinha experiência prévia no setor, além de questionar os valores pagos. Segundo os investigadores, cada ponto de Wi-Fi custou R$ 1.800 pelo contrato com o ICB, enquanto a Prodam, empresa pública de tecnologia do município, realizaria serviço semelhante por valores significativamente menores.
A prefeitura nega qualquer irregularidade, afirma que monitora o programa em tempo real e destaca que já glosou mais de R$ 2 milhões em despesas sem comprovação. Nunes declarou que colaborará com as investigações e que tomará providências caso sejam comprovadas irregularidades.
O caso também envolve o financiamento do filme Dark Horse. A produção recebeu ao menos R$ 61 milhões do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado pela Polícia Federal por supostas fraudes bancárias. O senador Flávio Bolsonaro participou da captação de recursos para o projeto e afirma que não tinha conhecimento das acusações contra Vorcaro quando buscou o financiamento.