Oposição argentina cobra Milei por suposta ajuda na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

 

Parlamentares apresentam pedidos de esclarecimentos, convocação de ministros e denúncia contra o presidente argentino

A oposição na Argentina intensificou a pressão sobre o governo de Javier Milei para esclarecer as circunstâncias da passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pelo país antes de seguir para os Estados Unidos. O caso motivou iniciativas parlamentares que questionam uma possível participação de integrantes do governo argentino na viagem do senador.

Flávio desembarcou nos Estados Unidos na manhã de quarta-feira (28), após passar pela Argentina e pelo Equador. Segundo as informações divulgadas, ele entrou em território argentino utilizando um passaporte italiano, partiu de Porto Iguaçu em um jato particular, fez uma escala em Guayaquil, no Equador, e chegou a Miami às 10h23.

A viagem ocorreu em circunstâncias que ainda precisam ser esclarecidas. De acordo com a reportagem, seis iniciativas foram apresentadas por integrantes da oposição argentina, incluindo pedidos de informações, convocações de autoridades e uma denúncia penal contra Milei e outros integrantes de seu governo.

Entre os alvos estão o chanceler Pablo Quirno, a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, e Santiago Caputo, estrategista político próximo ao presidente argentino. A imprensa local noticiou que Caputo teria estado em Porto Iguaçu para auxiliar Flávio e seus familiares.

O bloco União pela Pátria, principal força de oposição na Câmara dos Deputados argentina, também divulgou uma carta cobrando explicações do Executivo. O documento solicita respostas aos questionamentos apresentados pelos parlamentares, além do comparecimento de integrantes do governo ao Congresso.

A oposição ainda pediu que a Argentina reconheça oficialmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras, medida que, segundo a reportagem, o governo argentino ainda não havia adotado.

O deputado Esteban Paulón apresentou duas iniciativas relacionadas ao episódio. Uma delas solicita informações sobre os registros de entrada e saída de Flávio do território argentino, além de dados sobre a movimentação da aeronave utilizada na viagem.

A outra é uma denúncia contra Milei e integrantes de seu governo por suspeita de encobrimento, sob a alegação de que poderiam ter contribuído para evitar investigações ou a atuação das autoridades brasileiras. As acusações ainda dependem de apuração e não representam comprovação de responsabilidade criminal.

A deputada Myriam Bregman também cobrou esclarecimentos sobre a entrada, a circulação e a saída de Flávio e de seus familiares da Argentina. Ela solicitou informações sobre possíveis funcionários que teriam conhecimento antecipado da viagem e sobre a presença de Santiago Caputo no aeroporto de Porto Iguaçu.

O episódio pode ampliar o desgaste político de Milei, que enfrenta índices elevados de rejeição. Uma análise de 11 pesquisas publicada pelo jornal argentino Clarín apontou que 57% dos entrevistados desaprovavam sua gestão, enquanto 57,2% avaliavam negativamente sua imagem.

Para integrantes da oposição, o caso também coloca em debate a coerência do discurso do governo argentino sobre segurança e aplicação rigorosa da lei, especialmente quando os envolvidos são aliados políticos.

A controvérsia ocorre em meio às tensões entre Milei e Lula e a cerca de um ano das próximas eleições presidenciais argentinas, nas quais o atual presidente poderá buscar a reeleição.

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