A oposição no Senado tenta postergar a análise da PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), afirmou que a primeira votação está mantida para a próxima semana, antes do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Senadores de PL, PP e Republicanos se reuniram nesta quarta-feira (7) para discutir uma estratégia diante da tramitação da proposta. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) conversou com Alcolumbre na tentativa de alterar o calendário, mas ainda não há decisão sobre eventuais emendas que a oposição poderá apresentar.
Parte dos parlamentares avalia que a votação neste momento pode favorecer o desempenho eleitoral de Lula. Damares Alves (Republicanos-DF), por exemplo, afirmou que a proposta beneficia o atual presidente, mas indicou que a oposição não deve impedir a votação. Segundo ela, a maioria dos integrantes é favorável à mudança.
O senador Wellington Fagundes (PL-MT) também descartou uma estratégia de obstrução. Ele lembrou que deputados da oposição apoiaram a proposta durante a votação na Câmara.
Pelo regimento do Senado, uma PEC precisa ser votada em dois turnos, com intervalo entre as análises. A previsão é que a primeira votação ocorra na quinta-feira da próxima semana. A segunda etapa ficaria para depois das eleições, a menos que os senadores aprovem a quebra do intervalo previsto no regimento.
Alcolumbre afirmou que, caso seja apresentado um requerimento para antecipar a segunda votação, colocará o pedido em análise do plenário.
A PEC estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários, além da garantia de duas folgas por semana, sendo uma delas preferencialmente aos domingos. A mudança seria implantada de forma gradual: inicialmente, a jornada cairia para 42 horas e, 12 meses depois, chegaria às 40 horas.
O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em maio e passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro.