Outubro Rosa: maratonista revela como o esporte auxiliou no tratamento

Em janeiro de 2021, a maratonista Neiva Temporim, já com experiência em corridas longas, sentiu um nódulo na mama esquerda durante o autoexame. Diagnosticado em plena pandemia como câncer de mama com perfil hormonal, seu tratamento incluiu cirurgia em fevereiro, radioterapia logo em seguida, e hormonioterapia, que se estenderá até abril de 2026. 

Apesar do medo, do isolamento imposto pela COVID-19 e da fragilidade física, Neiva decidiu não parar. Mesmo durante a radioterapia, adaptou seus treinos — incluindo exercícios online — respeitando limitações como evitar suar por conta das marcas da radioterapia. 

Histórico esportivo e força de base

  • Neiva, hoje com 60 anos, já corria maratonas antes do diagnóstico: sua primeira maratona foi em Paris, em 2016.

  • Desde o início da corrida em sua vida, preencheu mais que metas físicas: criou uma identidade, fez da corrida um hábito, terapia, parte de quem ela é. 

Impactos do exercício durante tratamento
Profissionais de saúde citados na matéria — mastologista Euridice Figueiredo e oncologista Sabina Aleixo — apontam benefícios concretos da atividade física no combate ao câncer de mama:

  • ajuda a regular hormônios e metabolismo, o que pode inibir o crescimento tumoral; 

  • melhora da força muscular, mobilidade dos braços, controle de peso; 

  • redução dos efeitos colaterais como fadiga, náuseas, queda de imunidade; 

  • melhora da saúde mental, disposição, sono, diminuição da ansiedade; 

Elas também ressaltam a importância de respeitar os limites do corpo, adaptar os treinos conforme o momento do tratamento, evitar ambientes que aumentem riscos, e fazer tudo isso com acompanhamento. 

Recomeço, apoio e significado
Após a liberação para treinar, em maio de 2021, Neiva enfrentou fraqueza, baixa imunidade — sentiu que iria começar do zero. Com disciplina, rede de apoio (família, marido, treinador, amigos), ela retornou aos treinos e às corridas. 

Em outubro do mesmo ano, participou da Maratona de Boston; em novembro, da Maratona de Nova York — apesar das sequelas e do corpo ainda fragilizado, cruzou as linhas de chegada. 

Hoje, com 19 maratonas feitas — 13 delas depois do diagnóstico —, Neiva completa sua 20ª em outubro de 2025. Ela diz que já não busca tempo ou pódio, mas continuar, seguir vivendo, celebrar a vida através do movimento. 

Mensagem e ações coletivas
Neiva acredita que o exercício foi essencial para mantê-la de pé, não só fisicamente, mas mentalmente. Ela diz que sua história mostra que “o corpo em movimento sustenta a mente, o coração e a esperança”. E aproveitando o Outubro Rosa, há eventos previstos no Distrito Federal: corrida e caminhada da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Brasília, Circuito Consciente em Águas Claras, ambos com inscrição popular, com renda revertida a projetos sociais. 

 

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