Paciente passa por cirurgia errada em hospital de Campinas e morre três dias depois; família cobra responsabilização

Uma falha grave de identificação no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), resultou na realização de uma cirurgia em uma paciente que não deveria ter sido encaminhada ao procedimento. A aposentada Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, que tratava uma recidiva de câncer de intestino, morreu três dias após a intervenção, e o caso agora é alvo de investigação interna e poderá ser levado à Justiça.

Internada para tratar uma obstrução intestinal causada pela doença, Jandira aguardava a definição da equipe médica sobre o tratamento quando foi levada ao centro cirúrgico por engano. Ela foi submetida a uma gastrostomia endoscópica, procedimento destinado a outro paciente, para a implantação de uma sonda diretamente no estômago.

De acordo com o prontuário médico, o erro só foi percebido após o término da cirurgia, quando profissionais constataram que a paciente que realmente deveria passar pelo procedimento permanecia no quarto aguardando atendimento.

A família foi comunicada pela direção do hospital, que reconheceu a falha. Segundo os parentes, a instituição informou que a cirurgia poderia trazer benefícios clínicos, mas a evolução do quadro foi diferente. Após o procedimento, Jandira apresentou vômitos, sinais de infecção, alterações cardíacas e precisou ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Com o agravamento do estado de saúde, familiares e equipe médica optaram por cuidados paliativos. A paciente morreu no dia 11 de junho.

Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa afirmou que a análise médica concluiu que a cirurgia não alterou o prognóstico da paciente. A instituição informou ainda que instaurou sindicância interna, adotou medidas administrativas, incluindo o desligamento de profissionais envolvidos, e reforçou os protocolos de segurança para evitar novos casos.

A família contesta a conclusão do hospital e pretende buscar responsabilização judicial. O objetivo, segundo os parentes, é evitar que erros semelhantes voltem a acontecer.

O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) informou que ainda não havia sido oficialmente notificado sobre o caso. Já o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) declarou que também não havia registro da ocorrência até o momento.

 
 
 
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