A polilaminina ganhou destaque nos últimos dias nas redes sociais, com vídeos de pacientes em recuperação e debates sobre ciência nacional. Apesar da repercussão, a pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo estudo, reforça: a substância é promissora, mas ainda não é um tratamento comprovado.
A polilaminina é um composto desenvolvido em laboratório a partir da laminina, proteína produzida pelo corpo humano e essencial na formação dos tecidos e no crescimento celular. A proposta é utilizá-la em casos de lesão medular aguda — quando o trauma é recente e compromete os movimentos.
A medula espinhal funciona como uma via de comunicação entre o cérebro e o corpo. Quando ocorre a lesão, essa conexão é interrompida. A substância é aplicada diretamente no local do trauma com o objetivo de criar uma espécie de “ponte” microscópica, estimulando os neurônios a formarem novas conexões e restabelecerem parte dos movimentos.
Estudos preliminares conduzidos pela equipe de Sampaio envolveram oito pacientes. Alguns apresentaram evolução motora, enquanto outros tiveram recuperação mais significativa. No entanto, os dados ainda não passaram por revisão por pares, etapa fundamental para validação científica, e o número reduzido de participantes impede conclusões definitivas.
Especialistas também lembram que até 30% dos pacientes com lesão medular aguda podem recuperar algum grau de movimento mesmo sem o uso da substância, dependendo do tipo de lesão.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o início dos ensaios clínicos regulatórios, que ainda dependem de trâmites éticos. A pesquisa precisa avançar pelas fases 1, 2 e 3, que avaliam segurança, eficácia, doses e possíveis efeitos adversos. Só após essas etapas será possível solicitar o registro sanitário.
Até o momento, não há evidências de eficácia em casos de lesões crônicas. Segundo a própria pesquisadora, trata-se de uma esperança concreta, mas que ainda precisa cumprir todo o rigor científico antes de se tornar uma medicação disponível ao público.