O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as chamadas canetas emagrecedoras deverão ser incorporadas de forma definitiva ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos anos. Segundo ele, os medicamentos serão disponibilizados seguindo protocolos específicos para o tratamento de doenças, principalmente casos relacionados à obesidade.
Padilha destacou que os medicamentos podem ter papel importante para pacientes que aguardam cirurgia bariátrica ou que apresentam problemas cardiovasculares. O ministro também citou estudos que avaliam possíveis benefícios dessas substâncias para mulheres em tratamento contra o câncer de mama.
Atualmente, as canetas ainda não são oferecidas de forma ampla pelo SUS. Existem iniciativas pontuais no Rio de Janeiro, além de protocolos envolvendo os governos estaduais do Rio e de Goiás e o Distrito Federal.
Durante um evento sobre propostas para a saúde até 2030, Padilha afirmou que medicamentos destinados ao tratamento da diabetes e da obesidade deverão fazer parte da rede pública, mas não estabeleceu uma data para o início da oferta.
O Ministério da Saúde também acompanha um estudo realizado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, com cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças e indicação para cirurgia bariátrica. O ministro classificou a iniciativa como o principal protocolo atualmente em análise.
As canetas emagrecedoras são medicamentos que atuam sobre os mecanismos de saciedade e controle da glicose. Entre os principais estão produtos à base de semaglutida, como Ozempic e Wegovy, e de tirzepatida, como Mounjaro.
A ampliação do acesso ocorre em meio à pressão por redução dos preços. Uma nova proposta da Novo Nordisk prevê o fornecimento do Wegovy a 38.598 pacientes, com custo estimado entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões por ano, caso a incorporação seja aprovada pela Conitec.
Padilha reforçou que os medicamentos deverão ser utilizados como tratamento de saúde, e não como recurso exclusivamente estético.