A pancreatite, inflamação do pâncreas, voltou ao debate após a Anvisa registrar seis mortes suspeitas associadas ao uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras. A agência emitiu alerta sobre o risco da doença, classificada nas bulas como efeito adverso grave, porém incomum.
Especialistas da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) afirmam que não há comprovação de relação causal direta entre os medicamentos e a pancreatite. O médico Alexandre Hohl cita o estudo Select, que não identificou diferença na incidência da doença entre pacientes que usaram semaglutida e os que receberam placebo.
Bruno Halpern, vice-presidente da entidade, explica que perdas rápidas de peso podem aumentar o risco de cálculos biliares — uma das principais causas de pancreatite — o que poderia indicar uma relação indireta e rara. As causas mais comuns da doença incluem pedra na vesícula, consumo excessivo de álcool, uso de certos medicamentos e níveis elevados de triglicérides.
Entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, a Anvisa recebeu 145 notificações de eventos adversos ligados às canetas; somadas a dados de estudos clínicos, são 225 registros. Em 2025, houve 45 notificações, o maior número anual. A agência ressalta que notificação não comprova relação direta com o medicamento.
O alerta envolve substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida. Fabricantes informam que o risco está descrito em bula e orientam pacientes a procurar atendimento médico e interromper o uso em caso de suspeita, cujos sintomas incluem dor abdominal intensa, que pode irradiar para as costas, e náuseas, especialmente após refeições gordurosas.
Médicos reforçam que o uso deve ocorrer com prescrição e acompanhamento profissional, para reduzir riscos e avaliar contraindicações.