Pontífice pretende ouvir sobreviventes e reforçar ações de acolhimento e prevenção dentro da Igreja Católica
O papa Leão 14 se reunirá com vítimas de abusos cometidos por integrantes da Igreja Católica durante uma viagem à América do Sul, prevista para ocorrer entre os dias 6 e 17 de novembro. O roteiro inclui visitas ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, segundo informações divulgadas pelo Vaticano na terça-feira (27).
Em comunicado, a Santa Sé informou que os encontros têm como objetivo demonstrar solidariedade às pessoas que sofreram violência e contribuir para a construção de caminhos de recuperação. O Vaticano, no entanto, não divulgou detalhes sobre os locais nem sobre os participantes das reuniões.
A iniciativa ocorre em meio aos esforços da Igreja para enfrentar os casos de abusos sexuais e psicológicos envolvendo membros do clero e outras pessoas ligadas à instituição. O tema provoca repercussão internacional há anos e tem motivado investigações, medidas de responsabilização e ações de reparação às vítimas.
Em abril deste ano, a Santa Sé anunciou medidas para indenizar vítimas do Sodalício de Vida Cristã, movimento católico ultraconservador sediado no Peru, dissolvido em 2025 após denúncias de abusos cometidos por alguns de seus dirigentes.
Os pagamentos deverão ser realizados com recursos provenientes dos bens confiscados do grupo, e não com dinheiro dos cofres do Vaticano. Antes da dissolução, a organização havia reconhecido formalmente pelo menos 83 vítimas e desembolsado cerca de US$ 5,3 milhões em reparações parciais.
Em maio de 2026, representantes da Santa Sé e lideranças locais também participaram de atos públicos de pedido de perdão às comunidades afetadas, incluindo camponeses que tiveram terras expropriadas pelo movimento.
O encerramento do Sodalício foi determinado pelo papa Francisco pouco antes de sua morte, em 2025, após uma investigação conduzida pelo Vaticano durante sete anos.
A visita à América do Sul também será a primeira viagem internacional de Leão 14 desde o diagnóstico de câncer de pulmão e a cirurgia à qual foi submetido, segundo a reportagem.
O arcebispo Paul Gallagher, ministro das Relações Exteriores do Vaticano, afirmou que a doença mudou a percepção de parte dos católicos sobre a saúde do pontífice, lembrando que, apesar da função que exerce, ele também está sujeito às limitações humanas.
No mês passado, durante uma visita à França, Leão 14 também se encontrou com vítimas de abusos sexuais dentro da Igreja e prometeu trabalhar para prevenir novos casos.
As reuniões previstas para a viagem sul-americana reforçam a atenção do atual pontificado ao acolhimento dos sobreviventes e à busca por medidas que tornem a instituição um ambiente mais seguro.