Teatro ruidoso na tribuna tentou encobrir pedido de vistas ao PLC nº 820/2025 e expôs Paulo Preza, Cristina Tega e Gilberto Galdino em manobra mal disfarçado
Paulo Preza grita, posa e cobra aplausos enquanto tenta travar o Plano de Carreira dos professores
A sessão da Câmara Municipal de Campo Limpo Paulista (SP), realizada nesta terça-feira (20), ficará marcada não por avanço institucional, mas pelo espetáculo constrangedor protagonizado pelo vereador Paulo Preza (Podemos) — uma combinação de gritaria, autopromoção e tentativa explícita de reescrever a própria atuação diante do público.
Na tribuna, aos berros e em tom de cobrança, Preza exigiu praticamente uma cobertura elogiosa da imprensa, afirmando textualmente:
“Eu votei a favor e aguardo a matéria positiva de vocês daqui a pouco”.
A fala não deixa margem para interpretação. Trata-se de cobrança direta por elogio, feita em plenário, com transmissão pública. Não satisfeito, o vereador foi além e passou a exigir autopromoção visual:
“Coloca a foto de todos os vereadores no post de vocês”
e, logo depois:
“Quer fazer uma fotinha aqui agora? Pega uma fotinha boa, mas publica lá”.
Naquele momento, a tribuna deixou de ser espaço de debate legislativo e passou a funcionar como palco de marketing pessoal, com direito a pose, direção de cena e cobrança explícita à imprensa.
Em um dos trechos mais reveladores, Paulo Preza misturou política pública, emoção religiosa e projeção eleitoral, afirmando:
“Eu fiquei emocionado também porque Deus me deu esta oportunidade”.
Em seguida, completou, já mirando a próxima eleição:
“Se Jesus não me der a oportunidade de ser o próximo vereador na próxima eleição, eu participei de um grande legado para a educação da minha cidade”.
A defesa do projeto foi convertida em testemunho pessoal, com referências reiteradas a Deus, Jesus, eleição futura e “legado”, transformando a tribuna em algo mais próximo de um culto improvisado com viés eleitoral do que de uma discussão institucional.
O problema — grave e incontornável — é que Paulo Preza discursou uma coisa e praticou exatamente o oposto.
O que foi deliberadamente omitido em sua performance pública é que foi ele próprio, ao lado da vereadora Cristina Tega (PL), quem pediu vistas ao Projeto de Lei Complementar nº 820/2025, de autoria do Executivo, que trata do Estatuto, do Plano de Carreira e da Remuneração do Magistério Público Municipal.
O efeito do pedido de vistas é objetivo e automático:
o projeto sai da Ordem do Dia;
não é votado naquela sessão;
tem sua tramitação retardada pelo prazo regimental.
Assim, enquanto proclamava “legado” e cobrava aplausos, fotos e matéria positiva, Paulo Preza atuava para retirar o projeto da votação — movimento que só não se consumou porque o roteiro da base governista foi rompido em plenário.
Não se trata de juízo de valor. Trata-se de procedimento legislativo oficialmente registrado.
A tentativa de manobra não foi isolada. Integrava uma articulação mais ampla da base do prefeito Adeildo Nogueira (PL). Nesse contexto, o vereador Gilberto Galdino (PRD) também participou do roteiro inicial, que previa o pedido de vistas logo no início das discussões, esvaziando o debate antes que a pressão dos professores se transformasse em votação efetiva.
O plano, porém, implodiu em público quando o vereador Junior Itiban (PT) solicitou a votação do projeto em regime de urgência, desmontando a encenação e expondo a tentativa de atraso em cena aberta.
O constrangimento foi tamanho que Gilberto Galdino precisou pedir um aparte para tentar se explicar aos professores presentes no plenário — professores que compreenderam claramente a manobra e reagiram com indignação silenciosa, porém inequívoca.
O episódio beira o grotesco diante de um detalhe incontornável:
o projeto é de autoria do próprio Executivo;
foi o Executivo quem convidou os professores para acompanhar a sessão;
e foi a base do Executivo que tentou postergar a votação.
Uma estratégia mal combinada, mal executada e mal sustentada, que resultou na exposição pública da incoerência política da base governista. Um vereador gritava “legado” enquanto tentava adiar a votação. Outro tentava explicar o inexplicável. E o conjunto acabou desmascarado em plenário.
O pedido de vistas é um instrumento legítimo quando usado com seriedade. Serve para aprofundar a análise, não para simular apoio público enquanto se pratica obstrução procedimental.
O que se viu naquela sessão não foi cautela legislativa.
Foi cinismo operacionalizado.
Cinismo de Paulo Preza, documentado em áudio, vídeo e registro oficial.
Cinismo de Cristina Tega, que aderiu à manobra.
Cinismo de Gilberto Galdino, que integrou o roteiro e depois tentou conter o desgaste.
Os professores entenderam.
O plenário entendeu.
E a cidade entendeu.
Porque, na Câmara, vereador pode até gritar.
Mas o Regimento registra.
E o registro não aceita encenação.
Creditos: Popular Mais.