O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante visita à Alemanha, que chegou a imaginar receber o Nobel da Paz por sua tentativa de mediação no Irã em 2010. Na época, ao lado da Turquia, ele negociou com o então presidente Mahmoud Ahmadinejad um acordo para limitar o enriquecimento de urânio, com parte do material sendo transferida para território turco.
Lula disse que acreditava que o então presidente dos EUA, Barack Obama, poderia indicá-lo ao Nobel, mas, após o acordo, os EUA e a União Europeia endureceram sanções contra o Irã. Ele criticou essa postura e afirmou que, assim como no caso da invasão do Iraque sob George W. Bush, há narrativas usadas para justificar ações consideradas irresponsáveis.
O presidente também comentou tensões atuais envolvendo Cuba, comparando sua situação a conflitos em Gaza, Ucrânia, Venezuela e Irã, destacando o bloqueio econômico enfrentado pelos cubanos há décadas.
Ao lado do premiê alemão Friedrich Merz, Lula defendeu soluções diplomáticas para conflitos e criticou intervenções militares. Merz reforçou a importância da diplomacia, apesar de defender investimentos em segurança, e alertou para impactos da instabilidade global na energia europeia.
Ambos defenderam a reforma do Conselho de Segurança da ONU, criticando a concentração de poder nos membros permanentes. A Alemanha busca um assento fixo, com apoio do Brasil.
Por fim, Lula minimizou tensões sobre as eleições brasileiras, afirmando que o processo é tranquilo e democrático. Ele encerra sua viagem pela Europa em Lisboa, onde se reunirá com autoridades locais.