Petrobras diz que alta do gás se deve a lucro de distribuidoras, após críticas de Lula

O aumento do preço do gás de cozinha provocou um embate entre a Petrobras, distribuidoras e o governo federal. Após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do Ministério de Minas e Energia, a estatal enviou carta à Secretaria Nacional do Consumidor defendendo o modelo de leilões e responsabilizando as distribuidoras pela alta ao consumidor.

Segundo a Petrobras, entre 2019 e 2023, as margens de lucro das distribuidoras cresceram muito acima da inflação — alta de até 243% em reais — elevando o preço final do botijão. A empresa afirma ainda que aumentos são repassados rapidamente ao consumidor, enquanto reduções são retidas pelas distribuidoras.

O setor de distribuição, concentrado em poucos grupos, rebateu por meio do Sindigás, criticando os leilões da estatal. As empresas alegam que o modelo cria escassez artificial e eleva preços ao permitir ágio sobre o produto, defendendo a adoção de contratos regulados.

O conflito ganhou força após leilão realizado em março, com ágio de até 117%, que motivou reação de Lula, que classificou a prática como abusiva e defendeu sua anulação. O tema ocorre em meio à criação do programa social de distribuição de gás para famílias de baixa renda.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis indicam que o Brasil depende de importações para cerca de 20% do consumo de GLP, pressionadas por alta de até 60% no mercado internacional. Atualmente, o botijão gira em torno de R$ 110, com tendência de aumento.

Diante da pressão política, a Petrobras informou que reavalia seus procedimentos internos, enquanto mantém a defesa de que os leilões refletem as condições reais de mercado e ajudam a equilibrar oferta e demanda.

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