PF apura repasses de empresa de resort a Toffoli e encontra conversa com Vorcaro

A Polícia Federal investiga transferências de dinheiro feitas pela empresa Maridt — que pertence a dois irmãos do ministro Dias Toffoli — ao próprio magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF). A empresa teve participação no resort Tayayá, no Paraná, empreendimento que contou com a entrada do fundo Arleen, ligado a uma estrutura societária associada ao Banco Master.

Segundo apuração, uma das linhas investigativas considera a possibilidade de repasses a Toffoli após a venda da participação dos familiares ao fundo Arleen, que integrava uma cadeia de fundos relacionada ao banco. Durante quatro anos, entre 2021 e 2025, os irmãos do ministro dividiram o controle do resort com o fundo de investimentos.

Toffoli afirmou a interlocutores que os valores recebidos decorreram de sua condição de sócio da empresa familiar. É a primeira vez que o ministro detalha seu vínculo com o empreendimento. A PF também identificou, no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, conversas que mencionam o nome do ministro. O material foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin.

Para aprofundar as apurações envolvendo Toffoli, é necessária autorização do Supremo, já que ele é o relator do caso. A PF apontou elementos que podem fundamentar um pedido de suspeição do ministro, o que levaria ao seu afastamento da relatoria. Fachin notificou Toffoli para se manifestar.

O gabinete do ministro afirmou que o pedido da PF se baseia em “ilações” e sustentou que a corporação não tem legitimidade para requerer suspeição. A defesa de Vorcaro criticou o que classificou como “vazamento seletivo” de informações.

As investigações também identificaram possíveis menções a autoridades com foro privilegiado, o que pode ampliar a tramitação do caso no STF.

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