A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não dispõe de outra sala para manter Jair Bolsonaro (PL) preso nem de meios para atender à reclamação do ex-presidente sobre o barulho do ar-condicionado no local onde cumpre pena. A manifestação foi enviada nesta quarta-feira (7), em resposta a pedido da defesa, após determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Os advogados alegam que o ruído compromete o repouso e afeta a saúde de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Segundo a PF, a sala de Estado-Maior fica próxima a áreas técnicas do sistema de climatização do prédio, o que gera ruído constante. O órgão afirma que não é possível reduzir ou eliminar significativamente o barulho por meio de medidas simples e que eventuais intervenções exigiriam obras complexas e a paralisação prolongada do sistema, o que prejudicaria as atividades da superintendência.
A defesa havia solicitado alternativas como ajustes no ar-condicionado, isolamento acústico, mudança de layout ou transferência de local, pedidos considerados inviáveis pela PF. Para os advogados, embora o direito à sala de Estado-Maior esteja sendo respeitado, o ambiente não garantiria condições mínimas de tranquilidade e preservação da saúde.
Bolsonaro voltou à Superintendência da PF em Brasília na tarde desta quarta-feira após realizar exames em um hospital. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou que ele sofreu uma queda enquanto dormia e bateu a cabeça em um móvel. O ex-presidente está preso no local desde novembro, após danificar a tornozeleira eletrônica e perder o direito ao regime domiciliar.
A sala ocupada por Bolsonaro fica no térreo e possui cama, banheiro privativo, mesa de trabalho, televisão, frigobar e ar-condicionado. O espaço já abrigou outras autoridades presas, como Valdemar Costa Neto, Delcídio do Amaral, José Roberto Arruda e João Carlos Rocha Mattos. Moraes já havia negado pedido de prisão domiciliar após recente internação hospitalar, afirmando que houve melhora no quadro de saúde do ex-presidente.