PF vai investigar casos de bebidas com metanol e se há ligação com crime organizado

A Polícia Federal abriu inquérito, nesta segunda-feira (29), para investigar a crescente onda de intoxicações por metanol em São Paulo, que já resultou em cinco mortes. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, determinou a apuração e classificou a situação como grave, destacando que a rede de distribuição do produto pode ultrapassar os limites do estado. Paralelamente, a Secretaria Nacional do Consumidor também instaurou inquérito administrativo para analisar possíveis crimes contra o consumidor.

O metanol, altamente tóxico e impróprio para consumo humano, está sendo identificado em bebidas adulteradas vendidas em bares e adegas, principalmente em São Paulo. Antes, os casos eram mais comuns entre pessoas em situação de rua que ingeriam o produto em postos de combustíveis, mas, desde setembro, surgiram ocorrências em ambientes de lazer, envolvendo gim, uísque e vodca. Até agora, foram confirmados seis casos de intoxicação no estado e outros dez estão sob investigação, com três mortes já atribuídas à substância.

Um dos episódios mais graves envolveu um grupo de amigos da zona sul da capital, dos quais quatro foram hospitalizados após consumir gim adquirido em uma adega. Em outro caso, a designer Rhadarani Domingos perdeu a visão após ingerir caipirinhas em um bar nos Jardins. A Polícia Civil e a Vigilância Sanitária apreenderam garrafas suspeitas e investigam a origem da contaminação.

O diretor da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a investigação será conduzida em São Paulo, em parceria com a Polícia Civil, e que há indícios de ligação com o crime organizado e o comércio ilegal de combustíveis, já que parte do metanol chega ao Brasil pelo porto de Paranaguá. A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) aponta suspeitas de envolvimento da facção PCC.

Segundo o Ministério da Saúde, entre agosto e setembro foram notificados 17 casos, número muito acima da média anual de 20. O ministro Alexandre Padilha reforçou que haverá protocolos específicos para identificar sintomas, notificar ocorrências e orientar profissionais de saúde quanto ao uso de antídotos.

O metanol não pode ser identificado a olho nu ou pelo paladar, o que torna o risco ainda maior. Entre os sinais de alerta para bebidas adulteradas estão preços muito abaixo do mercado, embalagens com rótulos defeituosos, ausência de CNPJ ou lote, e lacres violados. Os sintomas de intoxicação incluem náusea, dor abdominal, visão turva, confusão mental e insuficiência respiratória, podendo evoluir para cegueira ou morte em poucas horas.

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