O Partido Liberal (PL) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para que seja investigada uma suposta rede de perfis falsos utilizada para impulsionar conteúdos negativos contra o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. A representação foi entregue ao presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, na segunda-feira (20).
O documento foi protocolado pelo coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), acompanhado dos advogados Maria Claudia Bucchianeri e Marcelo Bessa. A defesa solicita autorização da Justiça Eleitoral para quebra de sigilo de dados, com o objetivo de identificar os responsáveis pela criação das contas e pelos recursos usados para financiar os anúncios.
De acordo com o PL, uma análise realizada pela equipe identificou 57 perfis considerados falsos, responsáveis por mais de 4.600 anúncios patrocinados. O partido estima que os impulsionamentos tenham movimentado cerca de R$ 3 milhões e alcançado aproximadamente 250 milhões de visualizações.
Rogério Marinho afirmou ainda que há indícios de um esquema mais amplo, que pode envolver mais de 20 mil perfis e valores superiores a R$ 20 milhões em publicidade. Segundo ele, além de Flávio Bolsonaro, as publicações também teriam como alvo os governadores Tarcísio de Freitas, de São Paulo, e Jorginho Mello, de Santa Catarina.
A pré-campanha sustenta que as contas utilizam identidades e números de telefone supostamente fraudulentos para divulgar conteúdos patrocinados e, posteriormente, são excluídas, dificultando a identificação dos responsáveis. Os pagamentos dos anúncios, segundo a denúncia, teriam sido realizados em diferentes moedas, incluindo reais, dólares e pesos colombianos.
O PL pediu que o processo tramite sob sigilo e defende que a Justiça Eleitoral apure a existência de uma possível organização responsável pelo financiamento e operação da suposta campanha digital. Até o momento, o TSE não divulgou decisão sobre o pedido apresentado pelo partido.