A crise envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro não impediu que políticos citados nas investigações obtivessem bons resultados nas eleições deste domingo (4). Entre os nomes monitorados, houve candidatos eleitos ou reeleitos para cargos no Executivo e no Legislativo.
Um dos principais casos é o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que avançou ao segundo turno na disputa pela Presidência. Ele terminou a primeira etapa com 47% dos votos, dois pontos à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio é investigado no STF por sua relação com Vorcaro e por um acordo para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Segundo as investigações, foram solicitados R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos. O senador nega irregularidades.
Na Câmara, Mario Frias (PL-SP) deve ser reeleito com mais de 90 mil votos. Ele participou da produção do mesmo filme e foi alvo de uma operação da PF que apura suspeitas relacionadas ao uso de recursos públicos. O deputado afirma que apenas produziu a obra.
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, também deve conquistar novo mandato, com mais de 120 mil votos. Mensagens apreendidas pela PF indicam proximidade com Vorcaro e mencionam negócios envolvendo pessoas ligadas ao parlamentar. Motta nega qualquer favorecimento.
Antônio Rueda (União Brasil) também conseguiu espaço nas urnas. O dirigente partidário prestou serviços jurídicos ao Banco Master e afirma que sua atuação ocorreu de forma regular e dentro das normas da advocacia.
No Senado, Jaques Wagner (PT-BA) foi reeleito. O parlamentar foi alvo de busca e apreensão durante as investigações e nega ter recebido vantagens indevidas.
Nem todos os envolvidos, porém, tiveram o mesmo resultado. Ciro Nogueira (PP-PI), apontado pela PF como próximo de Vorcaro, perdeu a eleição. Na Bahia, ACM Neto (União Brasil) também foi derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT), apesar de ter recebido recursos do Master e da Reag por serviços que afirma serem regulares.