Ponte onde jovem morreu em Limeira tem fácil acesso e nenhuma segurança

A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, durante um salto de rope jump na conhecida Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), expôs falhas graves de segurança e levantou questionamentos sobre a utilização da estrutura para esportes radicais.

Maria Eduarda, moradora de Jandira, viajou até Limeira em 13 de julho para realizar um salto pelo qual pagou R$ 180, além de R$ 110 pela gravação em vídeo. Ela foi a 17ª participante do dia, mas acabou sendo lançada da ponte sem estar conectada às cordas de segurança. A queda livre provocou múltiplas fraturas e causou sua morte no local.

A Ponte do Esqueleto foi construída para um projeto ferroviário que nunca saiu do papel e hoje é um ponto turístico frequentado por praticantes de rope jump e bungee jump. Apesar dos riscos, a estrutura pode ser acessada livremente, sem controle, vigilância ou proteção adequada. Uma placa alerta para o perigo, mas está deteriorada e parcialmente coberta por pichações.

As investigações apontam possível negligência dos responsáveis pelo salto. A delegada Andréa Dantas Levy classificou o caso como resultado de “amadorismo e falta de experiência”, destacando que a ausência da conexão da corda principal de segurança é um erro inadmissível. A polícia também investiga o desaparecimento de uma câmera GoPro presa ao punho da vítima, que registrou a queda e ainda não foi encontrada.

O grupo responsável pela atividade, chamado Entre Cordas, operava sem registro empresarial. Três integrantes — Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra — foram presos preventivamente. A polícia os acusa de homicídio doloso, alegando que assumiram o risco de matar ao não realizarem os procedimentos básicos de segurança. A defesa sustenta que se trata de homicídio culposo, sem intenção de matar, e pretende recorrer da prisão.

O caso também reacendeu o debate sobre a responsabilidade pela ponte. A prefeitura de Limeira anunciou que pretende processar o governo federal por suposta omissão na gestão da estrutura, enquanto a Secretaria do Patrimônio da União afirmou que a atividade era irregular e se colocou à disposição das autoridades.

A Ponte do Esqueleto já registrou outros acidentes, incluindo feridos em saltos e a morte de uma ciclista em 2024. Mesmo assim, continuou sendo utilizada para atividades radicais. Frequentadores relataram que, até então, consideravam os organizadores responsáveis e confiáveis, tornando a tragédia ainda mais chocante para a comunidade local.

 
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