Prefeito de Sorocaba é afastado do cargo durante operação da PF que investiga desvios na Saúde

O prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), foi afastado do cargo por 180 dias, após decisão judicial associada à 2.ª fase da Operação Cópia e Cola, realizada pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de irregularidades e desvio de recursos públicos na Saúde do município. 

A medida de afastamento ocorreu junto ao cumprimento de mandados de busca e apreensão (sete) e de prisão preventiva (duas) autorizados pelo Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3), a pedido da Polícia Federal. Entre os presos figura o empresário e amigo próximo do prefeito, Marco Silva Mott, apontado como lobista e operador de lavagem de dinheiro em contratos públicos da administração municipal. 

Além das prisões e afastamentos, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 6,5 milhões em bens dos investigados. A Câmara Municipal foi formalmente notificada sobre o afastamento de Rodrigo Manga. 

Rodrigo Manga manifestou-se via rede social enquanto se encontrava em viagem a Brasília, afirmando que “me afastaram do cargo de prefeito” e insinuando que o processo teria motivação política, sugerindo que “tentam tirar do jogo qualquer um que ameaça a candidatura deles”. 

Antes de atuar na política, Manga era vendedor de veículos e tornou-se conhecido nas redes sociais por vídeos promocionais. Formado em marketing, utilizou sua popularidade digital como plataforma eleitoral. No entanto, alguns desses conteúdos já foram questionados pelo Ministério Público por possíveis casos de desinformação. 

A Operação Cópia e Cola teve sua primeira fase deflagrada em abril de 2025, com o propósito de desarticular organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos da Saúde por meio de Organizações Sociais (OSs). A segunda fase se baseou em novas provas e materiais apreendidos na etapa anterior, o que permitiu identificar mais pessoas e empresas envolvidas no esquema. 

Segundo os investigadores, os contratos sob suspeita teriam sido utilizados para favorecer empresas parceiras da administração municipal, com sobrepreço ou falta de prestação de serviços, em prejuízo do erário e da qualidade do atendimento à população. A PF não descarta novas prisões ou ordens de afastamento de agentes públicos.

O vice-prefeito, Fernando Neto (PSD), assumiu interinamente a chefia do Executivo municipal.

A investigação segue em sigilo e as autoridades informam que outras medidas ainda podem ser adotadas, conforme novos elementos probatórios surgirem.

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