O Ministério da Previdência Social e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) conseguiram reduzir para 1,2 milhão o número de pedidos que aguardavam análise em setembro de 2026. Além disso, os órgãos firmaram uma parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para tentar diminuir o volume de processos previdenciários na Justiça.
Em entrevista à FolhaPress, o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, afirmou que a fila chegou a 3,1 milhões de requerimentos neste ano, impulsionada por fatores como as greves de peritos médicos e servidores administrativos em 2025, além da interrupção na concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) no fim do ano passado.
Segundo o ministro, o tempo médio para a concessão de benefícios caiu de 45 para 28 dias. No caso do BPC, destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda que atendam aos critérios legais, o prazo atual de análise é de aproximadamente 45 dias.
Queiroz também rebateu as críticas sobre os critérios utilizados para divulgar a redução da fila. Ele afirmou que os indeferimentos seguem parâmetros objetivos e que a proporção de pedidos negados permanece próxima da média histórica, em torno de 50%.
De acordo com o ministro, o aumento das negativas no primeiro semestre de 2026 está relacionado ao acúmulo de solicitações que deixaram de ser analisadas no final de 2025.
Na área judicial, a Previdência, o INSS e o CNJ lançaram o programa AceleraPrev, voltado à redução da litigiosidade previdenciária e assistencial. O INSS acumula cerca de 4,5 milhões de processos na Justiça.
Dados citados pelo ministro indicam que 19,6% das ações relacionadas a pedidos de benefícios são julgadas procedentes. Outros 33% são negados, 18% terminam em acordo e 27,5% correspondem a outras situações processuais.
O ministro também destacou o impacto econômico dos pagamentos previdenciários. Atualmente, o INSS atende cerca de 41 milhões de beneficiários, entre aposentados, pensionistas e pessoas que recebem auxílios e benefícios assistenciais.
Sete em cada dez aposentados recebem o equivalente a um salário mínimo, fixado em R$ 1.621 segundo os dados apresentados na entrevista. Para Queiroz, esses recursos movimentam o comércio e fortalecem a economia dos municípios.
Sobre uma possível nova reforma da Previdência, o ministro defendeu a revisão de renúncias fiscais antes de mudanças nas regras de aposentadoria. Ele também ressaltou a importância de ampliar a inclusão previdenciária de trabalhadores autônomos, microempreendedores individuais e profissionais de plataformas digitais, para garantir proteção social no futuro.