A Polícia Rodoviária Federal (PRF) firmou, em dezembro, um convênio com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) para ampliar o alcance do sistema Alerta Brasil, que emite alertas automáticos quando identifica veículos cujos proprietários possuem mandado de prisão em aberto. A iniciativa permite o compartilhamento da tecnologia com guardas municipais e órgãos de trânsito de todo o país, além de autorizar a PRF a acessar câmeras instaladas em municípios, reduzindo “pontos cegos” entre rodovias federais e áreas urbanas.
O Alerta Brasil utiliza câmeras com leitores de placas em cerca de 39 mil pontos de monitoramento e cruza, em tempo real, os dados dos veículos com bases oficiais como Renavam, Renach, Receita Federal e o Banco Nacional de Mandados de Prisão, mantido pelo CNJ. As polícias estaduais já utilizam o sistema por meio de convênios anteriores.
Em 2025, a PRF cumpriu 5.113 mandados de prisão, embora não divulgue quantas dessas detenções tiveram origem direta em alertas da plataforma. Somente no último ano, foram investidos R$ 58 milhões na manutenção do sistema. A proposta agora é viabilizar o acesso a municípios que não teriam condições financeiras de arcar com a tecnologia. Com o novo acordo, a adesão, que antes podia levar até nove meses, passa a ser feita em poucos dias.
A PRF também configurou o sistema para priorizar crimes relacionados à violência de gênero. Em outubro, a Operação Alerta Lilás resultou na prisão de 83 pessoas com mandados por crimes como feminicídio, estupro e agressão, além de casos de pensão alimentícia. Entre os presos estava um homem foragido desde 2009 por feminicídio no Rio Grande do Sul.
Segundo a corporação, haverá controle rigoroso de acesso para evitar uso indevido dos dados. A PRF estuda ainda ampliar parcerias, incluindo cooperação internacional com países da América Latina por meio da Ameripol.