O PT está preparando uma estratégia para acionar o Tribunal Superior Eleitoral contra conteúdos considerados desinformação envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o partido durante a campanha eleitoral de 2026. A sigla avalia, porém, dois desafios principais: o avanço da inteligência artificial e das novas técnicas de viralização nas redes sociais, além da mudança na composição do tribunal.
Nas eleições de 2022, o PT apresentou mais de 300 representações relacionadas à desinformação eleitoral. Na época, o TSE era presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, que adotou uma postura mais rígida no combate às fake news. Agora, a presidência ficará com Kassio Nunes Marques, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre as preocupações do partido está o uso de “clipadores”, estratégia popularizada na campanha de Pablo Marçal em 2024, baseada na divulgação de cortes de vídeos impulsionados por usuários nas redes sociais. O método dificulta a fiscalização porque não passa pelos sistemas oficiais de anúncios das plataformas.
O PT também avalia que temas usados nas últimas eleições devem voltar ao debate, como acusações ligando o partido ao crime organizado, defesa do aborto e questões morais. Em uma das ações recentes, apresentada em março deste ano, o partido contestou publicações de aliados de Bolsonaro que associavam Lula a facções criminosas e criticavam sua posição sobre classificar organizações criminosas como terroristas.
De acordo com o PT, entre 2022 e 2026 o partido obteve ao menos 78 decisões favoráveis em processos relacionados à desinformação, incluindo remoções de conteúdos que associavam a legenda ao PCC, perseguição religiosa, manipulação de urnas e outros temas.
A principal ação apresentada pelo partido após as eleições de 2022 ainda não foi julgada. A chamada Aije acusa aliados de Bolsonaro de manter um suposto ecossistema de disseminação de fake news, envolvendo mais de 80 perfis nas redes sociais, incluindo parlamentares e familiares do ex-presidente.