Corinthians, Palmeiras e São Paulo adotaram cautela após a publicação da Medida Provisória que proíbe as apostas esportivas e a publicidade de empresas do setor no Brasil. Os três clubes possuem contratos com casas de apostas e, por enquanto, evitam tomar decisões definitivas.
A MP entrou em vigor na sexta-feira (25), mas ainda precisa ser analisada pelo Congresso Nacional. Caso não seja aprovada em até 120 dias, perderá a validade. Diante desse cenário, os clubes preferem acompanhar a tramitação antes de definir o futuro das parcerias.
No Corinthians, o contrato com a Esportes da Sorte prevê a suspensão do patrocínio caso as apostas sejam proibidas ou tenham a atividade suspensa. O acordo é válido até dezembro de 2029 e estabelece R$ 150 milhões anuais, podendo chegar a R$ 200 milhões com metas. A empresa ainda não comunicou oficialmente a suspensão ao clube.
O Palmeiras também mantém a parceria com a Sportingbet e considera o contrato vigente. O acordo prevê R$ 100 milhões fixos por temporada, com possibilidade de chegar a R$ 170 milhões mediante bônus. O clube decidiu esperar a evolução da MP antes de discutir alternativas.
No São Paulo, o contrato com a Superbet prevê a possibilidade de encerramento caso as apostas sejam proibidas no país. A parceria vai até 2030 e pode alcançar R$ 1 bilhão em seis anos, considerando metas esportivas. Até o momento, clube e empresa ainda não definiram os próximos passos.
A nova medida também estabelece prazos para a publicidade. Clubes e empresas têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente anúncios e materiais relacionados às apostas. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos do setor deverão sair do ar, conforme o cronograma divulgado pelo governo.
O impacto financeiro pode ser significativo. Em 2025, as casas de apostas investiram R$ 1,03 bilhão em patrocínios nos 20 clubes da Série A, cerca de um terço dos R$ 3,069 bilhões arrecadados pelo futebol da elite brasileira com patrocínios.