Quando o cuidado com o pet também protege as famílias das doenças

A convivência entre humanos e animais de estimação já é parte do cotidiano da maioria dos lares brasileiros. Segundo a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação) e o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), há em média 1,8 pet por residência no país. Essa relação afetuosa, no entanto, também exige responsabilidade, especialmente quando o assunto é saúde.

Doenças transmitidas de animais para humanos, conhecidas como zoonoses, representam um risco que pode ser prevenido com informação, cuidados básicos e atenção veterinária regular.

“Cada vez mais vivemos em famílias multiespécies, com vínculos afetivos entre pessoas e animais. No entanto, essa proximidade impõe responsabilidades, especialmente quando falamos de zoonoses. A saúde dos pets está diretamente conectada à saúde dos humanos”, alerta a médica-veterinária Stella Grell, representante da VetFamily no Brasil, comunidade internacional que atua com o conceito de Saúde Única (One Health), que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental.

Algumas zoonoses têm ampla circulação no Brasil, especialmente em regiões urbanas com saneamento precário ou grande presença de animais. Entre as que mais geram preocupação destacam-se: leptospirose, esporotricose, febre maculosa, toxoplasmose, raiva, toxocaríase e ancilostomíase e leishmaniose visceral.

Prevenção. A boa notícia é que a maior parte dessas doenças pode ser evitada com cuidados simples. Vacinação, vermifugação, controle de pulgas e carrapatos e visitas regulares ao veterinário formam a base da prevenção.“Boa parte das zoonoses pode ser prevenida com medidas simples, como vacinação periódica, controle de parasitas e manejo ambiental. Há no mercado soluções seguras e eficazes contra pulgas, carrapatos e vermes intestinais que contribuem com a prevenção”, afirma Stella.

Além disso, manter o ambiente limpo, evitar o acúmulo de lixo e restos orgânicos e supervisionar o contato de crianças com animais e solo também são atitudes importantes para evitar doenças.

Doenças que mais preocupam

Leptospirose | transmitida pela urina de animais infectados, principalmente ratos, costuma ter aumento de casos após chuvas e alagamentos. Os sintomas incluem febre, dores musculares e vômitos, podendo evoluir para casos graves. A prevenção envolve vacinação dos pets, higiene urbana e controle de roedores.

Esporotricose | causada por fungos presentes no solo e em vegetais em decomposição, pode ser transmitida ao humano por arranhões ou mordidas de gatos contaminados. A doença atinge a pele e, em casos mais graves, pode afetar órgãos internos. Desde o início de 2025, a esporotricose passou a ser de notificação obrigatória no Brasil.

Febre maculosa brasileira | transmitida por carrapatos-estrela, que podem se alojar em animais como cães e capivaras. Os sintomas surgem rapidamente e o tratamento precisa ser iniciado nas primeiras 48 a 72 horas. Evitar áreas de risco e controlar carrapatos são medidas fundamentais.

Toxoplasmose | embora frequentemente associada aos gatos, a principal via de contaminação em humanos é alimentar – carne malcozida e vegetais mal higienizados. Pode ser perigosa para gestantes. A prevenção passa por bons hábitos de higiene e alimentação, além de acompanhamento veterinário dos pets.

Raiva | apesar de pouco comum atualmente, é uma doença grave e fatal, transmitida pela mordida de animais infectados. A vacinação de cães e gatos é a principal forma de proteção, tanto dos animais quanto das pessoas.

Toxocaríase e ancilostomíase | verminoses intestinais transmitidas por contato com solo contaminado por fezes de cães e gatos. Crianças são as principais vítimas. O uso de vermífugos e a limpeza adequada de áreas públicas são essenciais.

Leishmaniose visceral | transmitida pelo mosquito-palha, afeta tanto cães quanto humanos e pode ser fatal se não tratada. A prevenção envolve o controle ambiental e o uso de repelentes próprios para animais.

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