Menino aguarda cirurgia de hipospádia, passou por diferentes médicos, fez exames, ficou cerca de 18 horas em jejum e, após horas no hospital, teve o procedimento cancelado
Uma família de Jundiaí denuncia o que considera um verdadeiro descaso no atendimento da Hapvida. O paciente é Lucas, uma criança que, segundo a mãe, aguarda há quase um ano pela realização de uma cirurgia de hipospádia.
Durante esse período, a família relata ter enfrentado trocas constantes de médicos, informações desencontradas, sucessivas reclamações e dificuldades para conseguir uma solução definitiva por parte do plano de saúde.
A situação chegou ao limite quando, após finalmente conseguir uma data para a cirurgia, a família levou Lucas ao Hospital Paulo Sacramento, em Jundiaí.
A criança realizou todo o preparo pré-operatório, passou pela avaliação da anestesia e permaneceu aguardando para ser encaminhada ao centro cirúrgico.
Segundo a mãe, foram aproximadamente três horas de espera dentro do hospital.
O que torna a situação ainda mais angustiante é que Lucas estava em jejum havia cerca de 18 horas.
Quando a família acreditava que finalmente o problema seria resolvido, recebeu a notícia de que a cirurgia não seria realizada.
Segundo o relato da mãe, a justificativa apresentada foi de que a Hapvida havia descredenciado o médico responsável pelo procedimento.
Depois de meses de espera, consultas, exames, preparo pré-operatório e horas de jejum, a criança acabou retornando para casa sem realizar a cirurgia.
A família afirma que recebeu inclusive uma carta de um médico registrando o ocorrido.
FAMÍLIA COBRA UMA SOLUÇÃO
A mãe afirma que abriu inúmeros chamados junto à Hapvida e também registrou reclamações na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas, segundo ela, o problema continuou sem solução.
Em determinado momento, a família teria sido orientada a levar Lucas para atendimento em São José do Rio Preto. A mãe recusou a alternativa devido à distância e continuou cobrando uma solução.
Posteriormente, o atendimento foi direcionado para São Paulo.
Após nova consulta, uma segunda cirurgia foi marcada para o dia 24 de agosto de 2026.
Segundo a família, a Hapvida informou que arcaria com o transporte e que o hospital de São Paulo entraria em contato para fornecer as orientações necessárias para o procedimento.
Mais uma vez, porém, segundo a mãe, a cirurgia não foi realizada.
A família afirma que entrou em contato diversas vezes com a operadora em busca de uma explicação, mas não teria recebido uma resposta satisfatória sobre o motivo do novo cancelamento.
ATÉ QUANDO A FAMÍLIA TERÁ QUE COBRAR?
O caso levanta sérios questionamentos sobre a qualidade da assistência prestada pelo plano de saúde.
Uma criança aguarda há quase um ano por uma cirurgia enquanto a família precisa enfrentar burocracia, troca de profissionais, descredenciamento, deslocamentos, reclamações e cancelamentos.
Para a mãe, fica a indignação: depois de cumprir todas as etapas exigidas pelo plano, realizar exames, comparecer ao hospital e preparar o filho para uma cirurgia, por que a família continua sem uma solução?
A situação também levanta questionamentos sobre quem assume a responsabilidade pelos transtornos causados ao paciente e à família quando um procedimento é cancelado após todo o preparo médico.
A família espera que a Hapvida apresente uma solução definitiva e informe quando Lucas finalmente poderá realizar a cirurgia que aguarda há quase um ano.
A TV Vitória procurará a Hapvida para que a operadora esclareça os motivos dos dois cancelamentos, o descredenciamento do profissional, a demora para solucionar o caso e quais providências serão tomadas para garantir a realização do procedimento.