O debate sobre a autoria do Pix voltou à cena após o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar, em audiência promovida pelo governo dos Estados Unidos sobre o tarifaço ao Brasil, que o sistema “é do Bolsonaro”. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sustenta que “o Pix é do Brasil”.
Na prática, o Pix foi desenvolvido pelo Banco Central ao longo de cerca de 31 meses, em um projeto iniciado em 2018, durante o governo Michel Temer, e concluído com seu lançamento em novembro de 2020, já no governo Jair Bolsonaro. As primeiras discussões sobre pagamentos instantâneos, porém, remontam a 2014, quando o BC começou a estudar alternativas ao TED e ao DOC.
Em 2018, foi criado o Grupo de Trabalho de Pagamentos Instantâneos, reunindo cerca de 130 instituições financeiras, fintechs, empresas de tecnologia, associações e órgãos públicos para definir a infraestrutura do sistema. Em dezembro daquele ano, o Banco Central assumiu oficialmente a coordenação do projeto. Em 2020, apresentou a marca Pix, iniciou o cadastro de chaves em outubro e liberou o sistema para toda a população em 16 de novembro.
Hoje, o Pix é o principal meio de pagamento eletrônico do país, utilizado por mais de 170 milhões de brasileiros e responsável por centenas de milhões de transações diárias.
O sistema também passou a integrar uma investigação comercial do governo dos Estados Unidos, que questiona se políticas públicas brasileiras favoreceriam o Pix em relação a concorrentes privados. Especialistas brasileiros e americanos, entretanto, defenderam que o sistema ampliou a concorrência, reduziu custos e beneficiou consumidores e empresas.
Paralelamente, desde 2024, a professora e empreendedora Anette Vernaschi Toppan processa o Banco Central, alegando que uma tecnologia desenvolvida por ela inspirou a criação do Pix. Ela pede reconhecimento de autoria, indenização e royalties. O Banco Central nega as acusações, afirmando que o Pix foi desenvolvido internamente com base em estudos técnicos e regulatórios, sem utilizar o projeto da autora. O processo segue em tramitação na Justiça, que ainda não analisou o mérito da ação.