A reforma tributária virou alvo de disputa política em ano eleitoral e já soma 50 projetos no Congresso que tentam alterar regras do novo sistema. Segundo levantamento da CNI, 70% das propostas mexem no Imposto Seletivo, enquanto o restante busca criar novas exceções para a CBS e o IBS, tributos que substituirão impostos atuais sobre consumo.
A pressão aumentou após o senador Flávio Bolsonaro defender o adiamento da entrada em vigor da reforma por um ano. O parlamentar afirma que as constantes mudanças nas regras geram insegurança jurídica e podem levar o Brasil a ter um dos maiores IVAs do mundo, próximo de 30%. Ele também argumenta que o novo modelo pode elevar preços, afetar pequenos empreendedores e prejudicar o setor de serviços.
No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há preocupação de que o clima eleitoral estimule deputados e senadores a ampliarem exceções tributárias, o que aumentaria a alíquota padrão dos novos impostos e fortaleceria críticas sobre alta da carga tributária.
O Ministério da Fazenda defende que a reforma trará ganhos de eficiência, transparência e produtividade, com potencial de elevar o PIB brasileiro entre 8% e 15% em 15 anos. O economista Bernard Appy afirmou que adiar ou revogar a reforma seria um erro, destacando que empresas e governos já investiram na adaptação ao novo sistema.
Entre os projetos em tramitação estão propostas para zerar alíquotas da CBS e do IBS em alguns setores e até para compras de motocicletas por mototaxistas cadastrados em aplicativos.
Especialistas e entidades também demonstram preocupação com atrasos na regulamentação e possíveis impactos econômicos. A Abifumo alertou que uma tributação excessiva sobre cigarros pode estimular o mercado ilegal, enquanto representantes estaduais avaliam que um adiamento da reforma teria pouca viabilidade devido aos investimentos já feitos para implementação do novo modelo.