Região tem queda de nascimentos e divórcios, e alta de óbitos e casamentos, aponta IBGE

Dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que a RPT (Região do Polo Têxtil) teve em 2024 queda nos números de nascimentos e divórcios, e aumento nas quantidades de óbitos e casamentos, quando comparados a 2023. Segundo pesquisadoras, o cenário reflete mudanças no planejamento familiar.

A região, que é composta por Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia, registrou no ano passado 10.292 nascidos vivos. Em 2023, foram 11.042. Já os óbitos cresceram de 6.535 pessoas para 6.865 na RPT.

Das cinco cidades, Americana teve o maior número de mortes em 2024: 1.845, acima dos 1.775 óbitos do ano retrasado.

O número de casamentos na região subiu de 5.797 para 5.864, embora Americana tenha sido o único município a fazer o movimento contrário — caiu de 1.307 para 1.249.

Por sua vez, os divórcios caíram de 2.899 para 2.613. Em Americana, foram 674 em 2023 contra 590 em 2024.

Ao LIBERAL, Glaucia Marcondes, demógrafa, pesquisadora e coordenadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), comentou que os dados estão conectados e confirmam tendências.

Segundo ela, o aumento de casamentos é motivado pelos planos feitos pelos casais após a pandemia da Covid-19.

Além disso, no Estado de São Paulo as mulheres têm optado pela escolaridade ou têm priorizado a estabilidade financeira antes do matrimônio e de ter filhos — o que impacta tanto os divórcios quanto os nascimentos. Os casais têm tido filhos mais tarde e em menor quantidade.

“O que a gente está vendo é uma grande transformação na nossa sociedade. As pessoas ainda sonham em casar, em ter uma família, mas o tempo que elas estão fazendo isso está um pouco mais tarde, na vida adulta”, ponderou.

A professora Joice Melo Vieira, do Departamento de Demografia da Unicamp, contou que há um fenômeno crescente da família “dink”, expressão em inglês que vem da frase “dual income, no kids” — em português, casais de dupla renda, sem filhos.

“Os dois investem muito no trabalho e decidem não ter filhos seja por questões de tempo, dinheiro ou outros projetos que, ainda que conjuntos, não envolvem reprodução”, afirmou.

O amadurecimento e a estabilidade foram fatores considerados pelo empresário Eric Martins Guimarães, de 31 anos, e pela terapeuta Marília Carla Oliveira Guimarães, 30, moradores de Hortolândia. Eles se casaram em 16 de novembro de 2024, embora tenham se reencontrado após 15 anos afastados.

“Acredito que a gente se reencontrou no momento certo. A vida profissional estabilizada, estamos mais maduros. E a gente não queria só morar junto”, contou Marília.

“Muitos amigos ainda não se casaram porque estão aguardando essa estabilidade para fazer o casamento. Até para ter filhos, a parte financeira e a maturidade são muito importantes. Ainda mais no mundo difícil de hoje”, completou Eric.

Joice explicou que o cenário pode intensificar o envelhecimento populacional, o que aumenta os óbitos, e pode desacelerar o crescimento populacional se houver ausência de chegada de novos migrantes.

A tendência é que o mercado de trabalho tenha de se adaptar a uma oferta de mão de obra mais madura e discussões sobre etarismo. Já do ponto de vista do urbanismo, será necessário pensar em cidades mais amigáveis aos idosos e às famílias.

“Outro cuidado é não descuidar da educação só porque temos menos crianças. Essa é uma grande oportunidade de investir em qualidade e também em aprendizagem ao longo da vida”, disse.

Já Glaucia lembrou que as pessoas precisam planejar a fase idosa para não perder possíveis cuidados. “Geralmente, a geração mais nova cuida da mais velha, principalmente na questão da saúde. Isso pode ter um impacto”, apontou.

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