Apontado pela Polícia Federal (PF) como grileiro de mais de 500 mil hectares na Amazônia, o empresário Ricardo Stoppe Jr. chegou a ser parceiro de uma empresa da Faria Lima que usou suas propriedades sob suspeita para dar lastro a uma criptomoeda “verde”.
Antes de ser alvo de investigações que envolvem falsificação de documentos e pagamento de propinas para se apropriar de terras na Amazônia, o empresário era badalado. Personagem de matérias elogiosas na imprensa especializada e figura carimbada em eventos sobre sustentabilidade.
Stoppe Jr. tornou-se um dos maiores vendedores de crédito de carbono do Brasil. Empresas grandes, como multinacionais, companhias aéreas e até bancos embarcaram. Um desses negócios era com a Moss, empresa que vendia uma criptomoeda lastreada em crédito de carbono das fazendas do empresário.
Em uma entrevista à Forbes, quando ainda não havia sido devassado pela PF, Stoppe Jr. disse: “A parceria com a Moss nos deu a possibilidade de viabilizar a venda do crédito de carbono e pôr em prática uma série de ações que não conseguíamos fazer porque tínhamos dificuldade na venda do crédito”.
Com base em algumas pesquisas, a criptomoeda da Moss naufragou antes mesmo de Stoppe Jr. entrar na mira da Polícia Federal. Chegou a valer na casa dos R$ 100 (quase U$ 18) e hoje está em centavos. Patrocinou o Flamengo, fez parceria com a Gol e vendeu seu ativo para o banco C6 “zerar” suas emissões de carbono.
Uma das fazendas vendidas como base da MCO2, a criptomoeda verde, era a Ituxi, uma propriedade no sul da Amazônia que fazia parte do império de propriedades do Ricardo Stoppe Jr.
Nas redes sociais, Stoppe Jr. demonstra ser um bolsonarista convicto. Teve diversas publicações derrubadas pelo próprio Facebook por informações falsas e chegou a defender intervenção militar em postagens. Seu filho, também investigado pela PF, doou R$ 5 mil ao ex-presidente Jair Bolsonaro na campanha de 2022.
Stoppe Jr. afirma investir desde o início dos anos 2010 em créditos de carbono, que têm lastro em projetos que geram redução de danos ambientais. Uma unidade equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser emitido. Empresas podem comprar esses créditos para compensar eventuais impactos de suas atividades na atmosfera e no meio ambiente. Foram esses créditos que ele conseguiu vender a grandes multinacionais e fundos de investimentos.