Rei do carbono suspeito de grilagem teve fazenda ligada a cripto verde

Apontado pela Polícia Federal (PF) como grileiro de mais de 500 mil hectares na Amazônia, o empresário Ricardo Stoppe Jr. chegou a ser parceiro de uma empresa da Faria Lima que usou suas propriedades sob suspeita para dar lastro a uma criptomoeda “verde”.

Antes de ser alvo de investigações que envolvem falsificação de documentos e pagamento de propinas para se apropriar de terras na Amazônia, o empresário era badalado. Personagem de matérias elogiosas na imprensa especializada e figura carimbada em eventos sobre sustentabilidade.

Stoppe Jr. tornou-se um dos maiores vendedores de crédito de carbono do Brasil. Empresas grandes, como multinacionais, companhias aéreas e até bancos embarcaram. Um desses negócios era com a Moss, empresa que vendia uma criptomoeda lastreada em crédito de carbono das fazendas do empresário.

Em uma entrevista à Forbes, quando ainda não havia sido devassado pela PF, Stoppe Jr. disse: “A parceria com a Moss nos deu a possibilidade de viabilizar a venda do crédito de carbono e pôr em prática uma série de ações que não conseguíamos fazer porque tínhamos dificuldade na venda do crédito”.

Com base em algumas pesquisas, a criptomoeda da Moss naufragou antes mesmo de Stoppe Jr. entrar na mira da Polícia Federal. Chegou a valer na casa dos R$ 100 (quase U$ 18) e hoje está em centavos. Patrocinou o Flamengo, fez parceria com a Gol e vendeu seu ativo para o banco C6 “zerar” suas emissões de carbono.

Uma das fazendas vendidas como base da MCO2, a criptomoeda verde, era a Ituxi, uma propriedade no sul da Amazônia que fazia parte do império de propriedades do Ricardo Stoppe Jr.

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