A Rússia acusou a Ucrânia de ter atacado, nesta segunda-feira (29), uma das residências oficiais do presidente Vladimir Putin com o uso de 91 drones. O episódio ocorreu um dia após o encontro entre o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir possíveis caminhos para encerrar a invasão russa à Ucrânia.
Zelenski negou envolvimento direto no ataque e afirmou que Moscou poderá usar o incidente como justificativa para novos bombardeios contra prédios do governo ucraniano. Observadores militares apontam que bombardeiros russos Tu-22 estariam sendo preparados com mísseis de cruzeiro, indicando risco de retaliação.
Segundo o chanceler russo Serguei Lavrov, os drones foram abatidos na região de Novgorod, próxima a São Petersburgo, a cerca de 600 quilômetros da fronteira ucraniana, sem registro de danos. Ainda assim, Lavrov prometeu uma “dura retaliação” e afirmou que o episódio pode endurecer a posição russa nas negociações conduzidas pelos Estados Unidos, embora Moscou diga que continuará dialogando.
A residência mencionada fica em um complexo conhecido como Valdai, às margens de um lago de mesmo nome, área frequentemente utilizada por Putin como casa de férias. O Kremlin informou que o presidente estava em Moscou no momento do suposto ataque, participando de reunião com chefes militares.
O incidente reacende tensões em meio às negociações sobre o conflito, especialmente em relação às regiões ucranianas anexadas ilegalmente pela Rússia em 2022. Enquanto Moscou mantém exigências territoriais, Kiev resiste a concessões, e os Estados Unidos tentam intermediar uma solução com garantias de segurança. O novo episódio tende a dificultar ainda mais o avanço de um acordo.