Mulher é internada em estado grave após uso de caneta emagrecedora ilegal
Uma mulher está internada em estado grave desde dezembro, em Belo Horizonte, após utilizar um medicamento para emagrecimento comercializado de forma ilegal no Brasil. Segundo publicação da filha nas redes sociais, Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, usou o Lipoless (tirzepatida), em ampola, produzido pelo laboratório paraguaio Eticos. O produto não possui autorização da Anvisa para fabricação ou comercialização no país.
Atualmente, o único medicamento com o princípio ativo tirzepatida permitido no Brasil é o Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly, detentora da patente. Em comunicado, a empresa informou que produtos oriundos do Paraguai que alegam conter tirzepatida não são equivalentes ao Mounjaro e não foram aprovados pela Anvisa como genéricos. Segundo o laboratório, autorizações concedidas por autoridades estrangeiras não substituem os critérios científicos, clínicos e de qualidade exigidos no Brasil.
Resoluções publicadas pela Anvisa em 2024 reforçaram a proibição da fabricação, venda, importação, propaganda e uso de emagrecedores não autorizados, incluindo o Lipoless. Na última quarta-feira (21), a agência também determinou a apreensão de lotes de tirzepatida das marcas Synedica e TG.
A Anvisa já proibiu os seguintes produtos agonistas de GLP-1, todos sem aval para uso no Brasil:
Lipoless e Lipoless Eticos (tirzepatida)
Synedica (tirzepatida)
TG, TG 5 e TG Indufar (tirzepatida)
Tirzazep, da Royal Pharmaceuticals (tirzepatida)
Retratutida, de todos os fabricantes
Especialistas alertam que medicamentos sem controle regulatório oferecem riscos elevados. A endocrinologista Flávia Coimbra, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que a ausência de fiscalização pode resultar em superdosagem, subdosagem ou composição diferente da informada. Já o endocrinologista Rodrigo Lamounier, da Abeso, destaca que não é possível saber o que há na formulação desses produtos, tornando os riscos imprevisíveis.
De acordo com a família, Kellen apresentou dores abdominais e sofreu 16 convulsões antes de ser levada ao Hospital João 23. Posteriormente, foi transferida para o Hospital das Clínicas da UFMG, onde recebeu diagnóstico de síndrome de Guillain-Barré, condição neurológica grave que pode evoluir para paralisia.