O deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), pré-candidato ao Senado por São Paulo, afirmou que a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas é consequência de falhas da campanha bolsonarista, e não do desempenho do governo petista. Segundo ele, a relação de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e os conflitos internos no grupo político de Jair Bolsonaro enfraquecem a direita.
Salles também criticou as disputas entre Michelle Bolsonaro e integrantes do núcleo ligado aos deputados Eduardo e Carlos Bolsonaro. Para ele, influenciadores próximos aos filhos do ex-presidente promovem ataques contra lideranças conservadoras, como Michelle e Nikolas Ferreira, afastando aliados e exigindo “obediência absoluta” de quem permanece no grupo.
Na disputa pelo Senado em São Paulo, Salles descartou qualquer possibilidade de desistir da candidatura. Embora o governador Tarcísio de Freitas apoie Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), o deputado afirmou que entrou na corrida antes dos adversários, tem trajetória mais consolidada na direita e aparece à frente deles nas pesquisas. Ele ainda atacou André do Prado, dizendo que o parlamentar “finge ser de direita” e que sua candidatura seria um “prêmio de consolação”.
Sobre Eduardo Bolsonaro, Salles disse considerá-lo o mais preparado entre os filhos do ex-presidente, mas criticou sua decisão de aceitar ser suplente de André do Prado, além de rebater acusações de que teria se omitido na defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Ao comentar sua atuação na Câmara, respondeu às críticas de que não teve projetos aprovados afirmando que prefere não negociar com o centrão nem abrir mão de suas convicções para obter apoio. Citou como principais contribuições o relatório da CPI do MST, a participação na PEC das Drogas e a inclusão da proposta de castração química para condenados por pedofilia em um projeto aprovado pela Câmara.
Salles afirmou que, caso não seja eleito senador, retornará à advocacia e não descarta disputar futuramente a Prefeitura de São Paulo.