A preocupação com a saúde mental dos trabalhadores ganhou espaço nas empresas com o avanço das discussões sobre burnout, sobrecarga e pressão por resultados. Durante o Setembro Amarelo, o tema também se relaciona à necessidade de identificar situações do ambiente profissional que podem contribuir para o sofrimento psíquico.
A atenção aumenta com as mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passaram a incluir os fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. Com isso, as empresas devem avaliar aspectos ligados à organização do trabalho e adotar medidas para eliminar, reduzir ou controlar situações que possam prejudicar a saúde dos empregados.
Entre os fatores que exigem atenção estão excesso de tarefas, jornadas prolongadas, falta de pausas, metas incompatíveis, cobranças desproporcionais, pouca autonomia, conflitos entre funcionários e problemas relacionados à liderança.
Segundo a advogada Ana Luísa Santana, especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, a prevenção não deve se limitar a campanhas de conscientização. A orientação é que as empresas identifiquem antecipadamente os riscos e adotem medidas concretas para enfrentá-los.
A capacitação dos gestores também é considerada importante. Líderes devem saber conduzir cobranças de forma adequada, reconhecer possíveis sinais de sofrimento e evitar práticas que possam agravar situações de pressão. Canais seguros para denúncias e procedimentos para acolhimento e encaminhamento de casos também fazem parte das medidas preventivas.
A cobrança por produtividade e o estabelecimento de metas são permitidos. O problema pode surgir quando essas práticas são acompanhadas de humilhações, ameaças, exposição pública, comparações vexatórias ou pressão excessiva e contínua.
Outro cuidado é manter registros das ações adotadas. A documentação ajuda a demonstrar que os riscos foram identificados e que medidas de prevenção e acompanhamento foram implementadas.
Para a especialista, o Setembro Amarelo pode ser uma oportunidade para revisar práticas internas, mas a atenção à saúde mental deve fazer parte da rotina das organizações, e não ficar restrita a campanhas realizadas em determinados períodos do ano.