A Secretaria de Esportes do governo Tarcísio de Freitas não conseguiu localizar R$ 23 milhões em materiais adquiridos, após um inventário solicitado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).
A análise identificou que foram empenhados R$ 51,5 milhões em compras, mas apenas R$ 16,7 milhões em itens estavam fisicamente disponíveis. Após buscas internas, a pasta conseguiu justificar R$ 11,5 milhões — parte dos materiais havia sido doada —, restando ainda um valor significativo sem localização.
O inventário apontou falhas graves, como desorganização no armazenamento, falta de controle de estoque e ausência de registros contábeis confiáveis. Também foram relatadas dificuldades em vincular materiais às respectivas notas de empenho e localizar documentos comprobatórios, como recibos de doações.
O TCE já havia identificado inconsistências nas contas da pasta em 2025, destacando a inexistência de controle adequado de estoque. Mesmo assim, recomendou a adoção de medidas corretivas. A secretaria informou que está elaborando um relatório preliminar para embasar a abertura de sindicância e afirmou que implementa melhorias nos mecanismos de controle e gestão patrimonial.
Especialistas avaliam que a apuração deveria ter sido imediata para esclarecer responsabilidades. Internamente, houve tentativas de regularizar a situação, incluindo solicitações de plano de ação e criação de equipes de investigação, mas nem todas as medidas foram cumpridas.
Ex-integrantes da gestão foram exonerados no início de 2026 em meio às apurações. A secretaria afirma que continua investigando o caso, colaborando com órgãos de controle e reforçando que não tolera irregularidades, prometendo rigor e transparência na condução dos processos.