Selic em 15%: Altos juros por tempo prolongado trazem preocupações ao varejo, avalia Sincomercio Jundiaí

Jundiaí, 19 de setembro de 2025 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) decidiu manter a taxa básica de juros da economia brasileira, a taxa Selic, em 15% ao ano, permanecendo no maior patamar desde 2006. Esta foi a segunda decisão consecutiva sem alteração na taxa, que passou por aumentos entre setembro de 2024 e junho de 2025. O anúncio foi feito na última quarta-feira (17/09).

Gráfico 1: Evolução da Taxa Selic (% ao ano)

A decisão do Copom era amplamente prevista, segundo Jaime Vasconcellos, assessor econômico do Sincomercio Jundiaí e Região. Embora recentemente tenham sido observados menores patamares de câmbio e inflação doméstica (houve deflação em agosto), fatores como o cenário externo incerto, preços de serviços ainda pressionados, política fiscal expansionista e a resiliência do mercado de trabalho contribuem para as preocupações sobre o comportamento futuro da inflação no país. Essa preocupação se estende tanto para o que resta de 2025 quanto para 2026, período em que o IPCA, índice oficial de inflação brasileira, tende ainda a permanecer acima da meta estipulada pelo Banco Central (3,00%).

Para o Sincomercio Jundiaí e Região, avaliando os impactos práticos da magnitude da Selic aos empresários representados, o principal destaque da decisão deste último dia 17 está presente na nota divulgada pelo Banco Central, que explicita a seguinte expressão: “…exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

“A expressão “período bastante prolongado” deixa claro que nós, empresários e consumidores, conviveremos com crédito caro por um longo tempo, até porque a Selic baliza a trajetória de todas as outras taxas de juros presentes nas modalidades de crédito destinadas na prática às famílias e empresas. E olha que em julho de 2025, o juro médio às empresas (considerando o crédito de recursos livres) atingiu os 25,02% ao ano no país, o maior patamar desde julho de 2017. Para as famílias, temos um juro médio anual de 57,65%, o maior nível para um mês de julho também dos últimos oito anos”, pontua Edison Maltoni, presidente do Sincomercio. 

Portanto, cabe ao Sincomercio Jundiaí explicitar aos empresários do varejo da região, especialmente às vésperas do último trimestre do ano (período tão relevante ao comércio varejista), que todo cuidado é pouco às empresas que necessitarem de crédito, seja antecipando vendas efetuadas via cartões de crédito, seja buscando capital de giro ou qualquer outra linha.

“Os juros pagos estão em elevados patamares e, com as últimas decisões sobre a Selic, continuarão assim para os próximos meses. Os cuidados quanto às expectativas de vendas, que são base inclusive da realização de estoques e avaliação do tamanho do quadro de trabalhadores, deve ser máxima, especialmente cuidando da liquidez do caixa em um período em que, caso haja falta de capital de giro, o custo de buscá-lo junto aos bancos continuará elevado”, alerta Maltoni.

Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Email