O Senado que tomará posse em 2027 terá pelo menos 49 parlamentares favoráveis à abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo levantamento divulgado pela FolhaPress. Para aprovar o afastamento de um magistrado, porém, são necessários 54 votos, o equivalente a dois terços da Casa.
Dos atuais senadores com mandato até 2030, 14 já defenderam publicamente a possibilidade de abertura de processos por crimes de responsabilidade. A eles se somam 35 dos parlamentares eleitos no último domingo (4).
Entre os novos senadores estão Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL), pelo Distrito Federal, Guilherme Derrite (PP), por São Paulo, e Carlos Portinho (PL), pelo Rio de Janeiro. Segundo o levantamento, 29 dos recém-eleitos receberam apoio do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O PL também deverá comandar a maior bancada do Senado a partir de 2027, com 28 parlamentares. O número representa uma vantagem significativa sobre o PT, que terá nove senadores.
A disputa pela presidência do Senado também deve influenciar o tema. O grupo bolsonarista avalia apoiar Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, ou Tereza Cristina (PP-MS). O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mantém os pedidos de impeachment de ministros do STF fora da pauta.
Alexandre de Moraes é apontado como principal alvo dos bolsonaristas. As discussões sobre impeachment, entretanto, ganharam força também entre setores mais moderados após surgirem informações sobre possíveis relações entre integrantes do STF e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Segundo reportagens recentes, mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicariam contatos de Vorcaro com ministros e pessoas próximas a integrantes da Corte. As informações são alvo de apurações e não significam, por si só, comprovação de irregularidades.