Serasa: inadimplência sobe 22,73% em um ano e chega a R$ 2,7 bilhões na região

A inadimplência subiu 22,73% na RPT (Região do Polo Têxtil) em um ano, alcançando um valor total de R$ 2,7 bilhões. Os dados foram fornecidos ao LIBERAL pela Serasa e mostram que, entre junho de 2024 e junho de 2025, foram registradas 200 mil novas dívidas – aumento de 1,4 milhão para 1,6 milhão.

A estatística abrange a quantidade de inadimplentes, a quantidade de dívidas e o valor total dos débitos. Entre Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia, todos os municípios tiveram aumento tanto no número de dívidas quanto no valor total devido.

Percentualmente, o maior crescimento no valor foi em Santa Bárbara, com 30,4%, saltando de R$ 357,3 milhões para R$ 466 milhões. O número de inadimplentes subiu de 55,5 mil para 65,2 mil, enquanto a quantidade de dívidas evoluiu de 210,6 mil para 257,1 mil.

É importante ressaltar que cada inadimplente pode ter mais de uma dívida. Em Americana, a Serasa informou que os débitos subiram de R$ 532,2 milhões para R$ 670,7 milhões nesse período, enquanto o número de pessoas inadimplentes registrou alta de 74,8 mil para 82,3 mil.

Região

Sumaré, por sua vez, tem a maior dívida da região, com R$ 799,7 milhões – em junho do ano passado, era de R$ 648,5 milhões. O município tem também a maior quantidade de pessoas inadimplentes, saltando de 108,8 mil em 2024 para 120,9 mil em 2025.

Em Hortolândia, o aumento foi de R$ 568,7 milhões para R$ 699,7 milhões, enquanto Nova Odessa registrou alta na dívida de R$ 130,7 milhões para R$ 154,9 milhões.

Um fato curioso sobre os dados diz respeito aos inadimplentes em Nova Odessa. Em junho de 2024 eram 19,2 mil pessoas, enquanto em junho de 2025 o número caiu para 18,9 mil. Apesar disso, a quantidade de dívidas aumentou de 80,5 mil para 89,1 mil. Ou seja, há menos pessoas devendo, mas quem deve está devendo mais.

Série de fatores

À reportagem, o especialista em educação financeira Thiago Ramos, da Serasa, destacou os principais motivos pelas dívidas. Entre eles, estão desemprego, gastos emergenciais e desorganização financeira.

“A inadimplência é um processo complexo, que envolve uma série de variáveis econômicas, como a taxa de desemprego, a inflação, a taxa de juros, entre outros. Tão importante quanto os impactos da economia, destacamos também fatores comportamentais, como a educação financeira, ainda pouco adotada no dia a dia de muitos brasileiros”, explicou.

“Uma pesquisa recente da Serasa investigou as razões do endividamento com instituições bancárias, principal segmento das dívidas negativadas no País. Segundo os dados, o desemprego e a perda de renda aparecem como primeiro motivo da inadimplência com bancos, apontado por 40% dos endividados. Na sequência, aparecem gastos emergenciais, com 13%, e a desorganização financeira, com 13%”, disse.

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