Setembro Verde Celebração no Hospital São Vicente homenageia doadores de órgãos e famílias que disseram sim à doação

Uma celebração marcada pela gratidão, pela memória e pelo reconhecimento reuniu cerca de 70 familiares de pacientes doadores de órgãos na Capela do Hospital de Caridade São Vicente de Paulo (HSV), no dia 26 de setembro. O evento foi realizado em homenagem às famílias que, mesmo diante da dor da perda, autorizaram a doação de órgãos e transformaram a despedida em um gesto de amor, solidariedade e esperança.

Organizada pela enfermeira líder da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT), Raíssa Gabriela Fileli, em parceria com o analista de filantropia, Aldo Fonseca, a celebração contou com a participação do capelão católico, Pe. Rafael Guilherme de Godoy, e do capelão evangélico, Pr. Francisco Vanderlinde. O momento teve como objetivo reconhecer o impacto das decisões familiares, que possibilitaram a outras pessoas uma nova chance de vida.

“É um momento de agradecer às famílias que, em meio à dor da perda, disseram sim à doação. Esse gesto representa amor, solidariedade e esperança e pode transformar a vida de pessoas que aguardavam por um transplante. Nós, do Hospital São Vicente, agradecemos imensamente a presença e a participação de cada família na celebração. O sim que eles disseram, em um momento em que tudo parecia incerto, ultrapassou as paredes deste hospital. A vida continuou através do amor”, disse Raíssa.

Acolhimento e cuidado durante o processo

No Hospital São Vicente, o processo de doação de órgãos envolve uma equipe multiprofissional, que acompanha cada caso com cuidado, respeito e acolhimento. Após a confirmação da morte encefálica, a família recebe as informações necessárias e é acolhida por profissionais que participam de todo o processo.

O médico responsável comunica o óbito e esclarece as dúvidas dos familiares. Na sequência, a enfermeira da e-DOT aborda a possibilidade da doação de órgãos. O acompanhamento também conta com a participação do psicólogo da unidade, que oferece suporte emocional durante esse momento.

Em 2025, foram registrados 30 protocolos de morte encefálica no HSV. Em 2026, até 17 de setembro, foram 35 protocolos, todos com confirmação do diagnóstico de morte encefálica. Atualmente, a taxa de recusa familiar à doação no Hospital São Vicente é de 38%.

A importância de falar sobre doação em vida

Para as equipes que atuam no processo de doação, conversar sobre o assunto ainda em vida é uma das formas mais importantes de preparar a família para uma eventual decisão. Quando os familiares conhecem a vontade de seu ente querido, o processo de decisão pode se tornar mais claro e respeitar o desejo manifestado por aquela pessoa.

Por isso, falar sobre o tema com a família e deixar clara a própria vontade pode ajudar a tornar esse momento menos difícil. A Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) também permite registrar formalmente a intenção de ser doador. Embora não substitua a autorização da família, o documento pode servir como apoio durante o processo de decisão, reforçando a vontade manifestada pelo potencial doador.

“Sabemos que a dor da perda é um caminho solitário, que traz um silêncio difícil de preencher. E é justamente nesse momento, quando o mundo parece desmoronar, que cada uma dessas famílias tomou uma das decisões mais nobres e corajosas que um ser humano pode tomar: aceitar transformar a própria saudade na esperança de outra pessoa”, concluiu Aldo.

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