Show ou política? O teatro de Quezia de Lucca na Câmara de Jundiaí vira alerta sobre os rumos da representação pública

Vereadora aposta na lacração e no conflito para se promover; opositores apontam desprezo pelo debate democrático.

JUNDIAÍ — O plenário da Câmara Municipal de Jundiaí, tradicional espaço de discussão e formulação de políticas públicas, tem sido degradado, sob o protagonismo da vereadora Quezia de Lucca (PL), a um verdadeiro picadeiro de circo. Em vez de projetos consistentes e diálogo institucional, Quezia transforma cada sessão em um espetáculo performático, com direito a gritos, acusações infundadas e uma teatralidade que, segundo críticos, beira o desrespeito ao cargo que ocupa.

A parlamentar intensificou uma estratégia marcada pelo sensacionalismo e pelo embate vazio. Seus vídeos nas redes sociais são editados com o claro objetivo de criar narrativas polarizadoras, muitas vezes descoladas da realidade dos fatos. Em plenário, age como uma antagonista de novela, interrompendo falas, desconsiderando o regimento interno e tratando os colegas como coadjuvantes de um roteiro pessoal.

Para a população e analistas locais, Quezia conduz um mandato pautado não pelo interesse público, mas pelo algoritmo. “Ela atua como se estivesse em um palco, não em uma Câmara Legislativa. Seu foco é lacrar, não legislar”, afirma um vereador, sob condição de anonimato. “A política virou espetáculo, e o povo, plateia.”

Esse comportamento teatral, muitas vezes agressivo, contrasta com o trabalho de outras vereadoras da Casa, como Mariana Janeiro (PT) e Carla Basílio, que optam pelo debate técnico e pela construção de políticas públicas voltadas ao bem comum. Enquanto estas apostam na escuta e no diálogo, Quezia investe no confronto e na autopromoção.

O caso da vereadora reacende um debate crucial: qual o limite ético da exposição midiática de um mandato público? Quando a tribuna se transforma em cenário de reality show, perde-se a essência da função parlamentar — a de representar com responsabilidade os anseios da população. Em vez disso, o Legislativo vira palco de cenas ensaiadas, de um populismo digital que se alimenta da indignação fabricada.

Além do impacto institucional, especialistas alertam para o risco de corrosão da confiança pública na política. “A banalização do papel legislativo, o uso abusivo de narrativas da sua cabeça e a encenação de conflitos fictícios enfraquecem a democracia”, aponta um cientista político ouvido pela reportagem.

Em tempos em que a política é confundida com entretenimento, o caso de Quezia de Lucca serve de advertência. Cabe ao eleitor decidir se deseja ser representado por quem defende causas reais ou por quem apenas interpreta um personagem em busca de curtidas.

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