O feminicídio de Bruna Freitas Santos, 29 anos, e de sua mãe, assassinadas a facadas em Cidade Tiradentes (zona leste de São Paulo), expôs o avanço da violência contra mulheres no estado. O principal suspeito é o ex-companheiro de Bruna, Bruno Rocha Campos, que já havia tentado atropelá-la e ameaçado matar a filha do casal. Ele está foragido.
O caso reflete uma alta de 9% nos feminicídios em São Paulo entre janeiro e agosto de 2025, segundo o Instituto Sou da Paz, com 166 vítimas, o maior número desde a criação da lei, em 2015. Na capital, o aumento foi de 34%, concentrando-se nas zonas sul e leste. A maioria dos crimes ocorre dentro de casa (66%) e com armas brancas (51%).
A pesquisadora Malu Pinheiro afirma que faltam políticas públicas eficazes e que o feminicídio é tratado de forma genérica nas estratégias de segurança. O Brasil registrou 1.492 mortes de mulheres em 2024, 0,7% a mais que no ano anterior. Malu critica o governo Tarcísio de Freitas, que congelou verbas destinadas à Secretaria de Políticas para a Mulher — R$ 10 milhões previstos para programas de enfrentamento à violência ficaram parados.
O governo paulista afirma que a proteção das mulheres é prioridade, citando ações como DDMs 24h, tornozeleiras eletrônicas, aplicativo Mulher Segura, Cabine Lilás e o protocolo Não se Cale, além do aumento de medidas protetivas e prisões de agressores.
Apesar disso, especialistas dizem que o Estado ainda não oferece respostas rápidas nem suficientes. Casos como o de Maria Adelma dos Santos, morta a facadas em 2024 pelo ex-companheiro após ter pedido negado de medida protetiva, mostram falhas na prevenção. O agressor também está foragido.
As histórias de Bruna e Maria Adelma revelam um padrão de violência crescente, agravado pela falta de proteção eficaz e lentidão judicial, que continua custando vidas de mulheres em todo o estado.