A demora do Supremo Tribunal Federal (STF) para avançar na análise de um pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes é vista por especialistas como um sinal das dificuldades da própria Corte em administrar conflitos internos.
O tema foi discutido durante uma sessão marcada por divergências entre ministros e debates sobre questões preliminares. Segundo o professor Rafael Mafei, da USP, os pontos iniciais poderiam ter sido resolvidos com maior rapidez. Para ele, a demora também pode ter reflexos no cenário eleitoral, já que a ausência de uma decisão passa a fazer parte do contexto político.
O professor Ivar Hartmann, do Insper, avaliou que a sessão frustrou quem esperava uma definição sobre a investigação. Ele também criticou a falta de avanços em questões como o poder dos relatores e o uso de decisões monocráticas, que voltaram a aparecer nos embates entre os ministros.
Entre os principais pontos jurídicos discutidos esteve a possibilidade de analisar conjuntamente procedimentos envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça. Também houve divergências sobre os procedimentos regimentais aplicáveis ao caso e sobre como situações de empate deveriam ser resolvidas.
A professora Vera Karam, da UFPR e integrante do Centro de Estudos Constitucionais do STF, afirmou que os conflitos públicos podem aumentar a exposição negativa da Corte e da Polícia Federal. Na avaliação dela, esse cenário pode produzir efeitos sobre o ambiente eleitoral.
Outro ponto citado foi a participação de ministros em julgamentos relacionados ao Banco Master. Karam defendeu que integrantes que tenham possíveis vínculos indiretos com pessoas ligadas ao caso deveriam se afastar dessas votações.
Já o professor Alvaro Palma de Jorge, da FGV-RJ, destacou que a sessão deixou evidentes dúvidas sobre as regras e os procedimentos que devem ser adotados pelo Supremo. Para ele, essas questões deveriam ser esclarecidas antes do avanço das votações.