A influenciadora Deolane Bezerra teve negado pelo STJ, em 9 de junho, o pedido de habeas corpus que buscava substituir sua prisão preventiva por prisão domiciliar. Presa desde 21 de maio na penitenciária feminina de Tupi Paulista (SP), ela é investigada por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Segundo o Ministério Público, Deolane teria atuado como peça importante na movimentação de recursos de origem ilícita, mantendo proximidade com familiares de Marcola, apontado como líder da facção criminosa. Tanto Deolane quanto os investigados negam as acusações.
As investigações indicam que empresas de fachada teriam sido usadas para movimentar dinheiro supostamente proveniente de atividades criminosas. Entre elas está a empresa Lado a Lado, apontada pela polícia como uma espécie de “caixa” do crime organizado.
A defesa alegou ao STJ que não existem motivos legais para manter a prisão preventiva, afirmando que não há risco à ordem pública, à investigação ou à aplicação da lei. No entanto, os ministros entenderam que o caso ainda deve ser analisado pelas instâncias inferiores e mantiveram a prisão.
Em relatório complementar enviado à Justiça em 29 de maio, a Polícia Civil pediu o indiciamento de sete pessoas, incluindo Deolane e Marcola. Também são investigadas a mãe e as irmãs da influenciadora por suspeita de participação no mesmo esquema.
A polícia afirma ter identificado uma “complexa engrenagem financeira” em torno de Deolane e aponta incompatibilidade entre seus rendimentos declarados e a movimentação bancária registrada. De acordo com a investigação, entre 2018 e 2022 ela recebeu cerca de R$ 7,6 milhões em créditos bancários, mas declarou à Receita Federal apenas R$ 577 mil, valor equivalente a aproximadamente 7,5% do total movimentado.
A decisão que decretou a prisão cita um padrão de vida considerado incompatível com as fontes de renda lícitas identificadas pelos investigadores.
Em carta enviada da prisão, Deolane negou qualquer envolvimento com lavagem de dinheiro, afirmou ser inocente e declarou estar sendo vítima de perseguição por sua influência e visibilidade pública.