O Sistema Único de Saúde (SUS) deverá disponibilizar uma nova alternativa para pacientes que convivem simultaneamente com catarata e glaucoma. A incorporação do procedimento foi oficializada pelo Ministério da Saúde por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União.
A previsão é que a nova opção esteja disponível na rede pública em até 180 dias. O procedimento será destinado a pessoas com catarata e glaucoma primário de ângulo aberto em estágio inicial ou moderado, desde que a doença esteja controlada com o uso de colírios.
A técnica permite tratar as duas condições durante a mesma cirurgia. No caso da catarata, o cristalino que perdeu a transparência é retirado e substituído por uma lente artificial. Já o glaucoma é tratado com técnicas que buscam melhorar a drenagem do líquido dentro do olho e, consequentemente, reduzir a pressão intraocular.
Duas técnicas foram incorporadas: a goniotomia excisional, que remove parte do tecido responsável pela dificuldade de drenagem, e a trabeculotomia transluminal, que utiliza um microcateter ou fio cirúrgico para ampliar a passagem natural do líquido.
Os procedimentos serão realizados junto à facoemulsificação, técnica já utilizada no tratamento da catarata.
Segundo o Ministério da Saúde, a abordagem combinada pode diminuir a necessidade de intervenções separadas, contribuir para uma recuperação mais rápida e melhorar o controle da pressão ocular. Especialistas ressaltam, porém, que alguns pacientes ainda poderão precisar de colírios e acompanhamento médico após a cirurgia.
De acordo com a Conitec, a incorporação também apresenta impacto econômico. A estimativa aponta economia de cerca de R$ 22,4 milhões no primeiro ano em comparação com uma alternativa já utilizada no SUS, o iStent.
O glaucoma pode provocar danos permanentes ao nervo óptico e levar à perda da visão quando não é tratado adequadamente. Já a catarata causa a opacificação do cristalino e costuma provocar visão embaçada.