SUS treina equipes da atenção básica para atender casos leves de depressão e ansiedade

Municípios brasileiros têm adotado uma estratégia para enfrentar o aumento da demanda por saúde mental no SUS: capacitar profissionais da atenção básica para acolher e acompanhar casos leves e moderados de depressão, ansiedade e outros sofrimentos psíquicos. A proposta não substitui psicólogos e psiquiatras, mas amplia a capacidade de cuidado nas UBSs, reduzindo filas na atenção especializada.

A iniciativa, já em curso em cidades como Aracaju, Santos e São Caetano do Sul (SP), segue diretrizes defendidas pela OMS e pelo SUS, segundo as quais nem todo sofrimento mental exige, inicialmente, atendimento especializado. Com formação, protocolos e supervisão, agentes comunitários, técnicos de enfermagem e enfermeiros passam a realizar acolhimento qualificado e intervenções breves.

O programa é coordenado pela ImpulsoGov, organização sem fins lucrativos que, desde 2023, capacitou cerca de 125 profissionais da atenção primária. A formação inclui 20 horas de aulas teóricas e cinco meses de prática supervisionada, com apoio de especialistas em saúde mental.

O principal instrumento utilizado é o AIP (Acolhimento Interpessoal), modelo de escuta estruturada em até quatro encontros, além do uso de escalas como o PHQ-9, para avaliação de depressão, e a Columbia, para risco de suicídio. Dados do programa indicam redução média de cerca de 50% nos sintomas dos pacientes acompanhados.

Em Aracaju, onde há cerca de 10 mil pessoas na fila por atendimento especializado, a estratégia tem ajudado a evitar encaminhamentos desnecessários aos Caps. Segundo gestores locais, muitos pacientes melhoram ainda na atenção primária, aliviando o gargalo do sistema.

Especialistas destacam que fortalecer a atenção básica é fundamental para garantir acesso mais rápido, prevenir agravamentos e integrar o cuidado em saúde mental ao atendimento cotidiano do SUS.

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