Tarcísio diz que USP tem dinheiro, reivindicações de alunos são justas e greve 'é assunto da reitoria'

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afirmou que a Universidade de São Paulo tem recursos em caixa e que cabe à reitoria resolver as reivindicações dos estudantes, que estão em greve há mais de cinco semanas. Segundo ele, o Estado garante previsibilidade orçamentária para as universidades estaduais, mas não interfere nas decisões internas sobre aplicação do orçamento.

Durante agenda na capital paulista, Tarcísio reconheceu como legítimas as reivindicações por melhorias no Crusp, no bandejão e nos programas de permanência estudantil. O governador também destacou que a USP possui o maior programa de auxílio estudantil do país, mas admitiu que ainda há espaço para avanços.

Na semana passada, estudantes das universidades estaduais realizaram protesto até o Palácio dos Bandeirantes pedindo mais investimentos. Em abril, a ocupação da reitoria terminou com ação da Polícia Militar, defendida pelo governador após denúncias de agressões e uso de bombas de gás contra manifestantes.

O financiamento da USP, Unicamp e Unesp é garantido por lei, com repasse de 9,57% da arrecadação do ICMS paulista. Para 2026, a USP aprovou orçamento recorde de R$ 9,41 bilhões, valor 2,87% maior que o do ano anterior.

As negociações para o fim da greve seguem travadas. A comissão criada para mediar o conflito foi encerrada após dois encontros, diante da falta de avanço nas propostas apresentadas pela reitoria.

O principal impasse envolve o reajuste do PAPFE, programa de permanência estudantil. Atualmente, o auxílio integral é de R$ 885. Os estudantes pedem aumento para o equivalente ao salário mínimo paulista, de R$ 1.804, enquanto a universidade propõe reajuste para R$ 912 com base na inflação medida pelo IPC-Fipe. Uma proposta intermediária apresentada pelos alunos, de R$ 1.096, também foi rejeitada.

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