Equipe da Faculdade de Medicina de Jundiaí contribuiu para a validação médica e fisiológica da tecnologia desenvolvida pelo Inatel, que poderá beneficiar pacientes com lesões nervosas e usuários de próteses
A Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) integra a equipe responsável pelo desenvolvimento de um dispositivo implantável inovador, criado pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), capaz de captar e estimular sinais do sistema nervoso sem a necessidade de bateria. Desenvolvido com recursos da Lei da Informática, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o projeto representa um importante avanço para a reabilitação de pacientes com lesões nervosas e para o controle de próteses.
A tecnologia foi validada em modelo biológico experimental com a participação da equipe da FMJ, que contribuiu para incorporar os requisitos médicos e fisiológicos ao desenvolvimento do dispositivo. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica internacional Sensors, reforçando o potencial da inovação para futuras aplicações clínicas.
A equipe da FMJ foi formada pelo diretor da instituição, professor Dr. Evaldo Marchi, pelo neurocirurgião Dr. Marco Antonio Herculano, pelo médico pesquisador Luís Eduardo Bulisani e pela aluna de mestrado Caroline Chen Pauris, que trabalharam em conjunto com pesquisadores do Inatel das áreas de hardware, software e engenharia biomédica.
Para o diretor da FMJ, professor Dr. Evaldo Marchi, o projeto representa um marco para a instituição.
“Esse é um projeto muito importante e significativo, porque está entre as primeiras iniciativas da FMJ voltadas à inovação tecnológica, uma das áreas estratégicas que a faculdade vem fortalecendo. É uma pesquisa que reúne medicina, engenharia e inteligência artificial para desenvolver soluções com potencial de transformar a vida das pessoas.”
O neurocirurgião Marco Antônio Herculano destaca o caráter aplicado da pesquisa.
“Nos preocupamos em desenvolver algo que não fosse apenas mais um artigo científico, mas uma tecnologia capaz de se transformar em um produto e chegar ao mercado para beneficiar as pessoas. Esse é o grande diferencial do projeto: transformar conhecimento científico em inovação com impacto real na vida dos pacientes.”
O dispositivo utiliza alimentação por radiofrequência (RFID), eliminando a necessidade de uma fonte interna de energia — um dos principais desafios dos implantes eletrônicos atuais. Além de captar sinais do sistema nervoso, o sistema também envia estímulos elétricos ao organismo, estabelecendo uma comunicação bidirecional que amplia seu potencial de aplicação na recuperação de funções neurológicas e no controle de próteses.
Segundo o médico e pesquisador Luís Eduardo Bulisani, foi desenvolvido um sensor implantável, sem bateria e com tecnologia 100% nacional, capaz de captar e transmitir sinais biológicos, com a intenção de reduzir a necessidade de novas cirurgias para substituição de implantes. “O implante pode funcionar como uma ponte, permitindo que o sinal volte a percorrer uma região lesionada, além de transmitir essas informações para sistemas externos, como próteses robóticas. Como não utiliza bateria, elimina a necessidade de cirurgias para troca do dispositivo.”
O projeto entra agora em uma nova etapa, que prevê a miniaturização do dispositivo em um microchip e a busca por parceiros e investidores. A iniciativa já foi reconhecida nacionalmente ao ser destaque na primeira edição do Prêmio de Reconhecimento de Unidades da Embrapii, que valoriza projetos de alto impacto para a inovação brasileira.
Para os pesquisadores, o projeto demonstra como a integração entre universidade, centros de pesquisa e setor produtivo pode acelerar a transformação do conhecimento científico em soluções concretas para a sociedade. Ao unir pesquisa de ponta, engenharia biomédica, inteligência artificial e medicina, a iniciativa tem um objetivo claro: ampliar a qualidade de vida de pessoas com limitações motoras e outras condições neurológicas, aproximando a inovação da prática clínica.