Tratamento com células CAR-T para leucemia e linfomas pode chegar ao SUS em dois anos

A terapia com células CAR-T, considerada uma das mais avançadas no tratamento contra o câncer, pode ser incorporada ao SUS em até dois anos. A estimativa é do pesquisador Vauber Rocha, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, que participa de um estudo clínico conduzido no campus de Ribeirão Preto.

A iniciativa desenvolve uma versão nacional da tecnologia, com o objetivo de reduzir significativamente os custos — atualmente, o tratamento pode chegar a cerca de R$ 2 milhões por paciente. A proposta é oferecer uma alternativa mais acessível para o sistema público, mantendo eficácia semelhante à das terapias já disponíveis no mercado.

Hoje, três medicamentos com tecnologia CAR-T são aprovados pela Anvisa, voltados principalmente ao tratamento de linfoma e leucemia. O projeto da USP segue de forma independente da indústria farmacêutica e está em fase final de testes clínicos, com previsão de envio dos resultados à agência reguladora dentro de um ano.

O estudo envolveu 81 pacientes, dos quais 20 apresentaram melhora da doença. Os demais resultados ainda são sigilosos e serão divulgados após a submissão oficial à Anvisa. Caso aprovado, o tratamento ainda precisará passar pela análise da Conitec, que avaliará o custo-benefício para incorporação ao SUS.

A terapia CAR-T é baseada na chamada medicina de precisão e consiste na coleta de células do próprio paciente, que são modificadas geneticamente para combater o câncer.

O projeto conta com participação de hospitais da USP, Unicamp, Hospital Sírio-Libanês e Beneficência Portuguesa, além de investimento de R$ 1,48 milhão do Ministério da Saúde. A pasta também informou que trabalha na criação de uma rede nacional de terapia celular.

Pesquisadores ainda avaliam parcerias internacionais, como com a China, para ampliar o uso da tecnologia, incluindo o tratamento de mieloma.

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