O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista à NBC News nesta segunda-feira (5) que a Venezuela não terá eleições nos próximos 30 dias. Segundo ele, o país precisaria ser “revitalizado” antes de qualquer processo eleitoral, alegando que a população sequer teria condições de votar.
Trump declarou que os EUA não estão em guerra com a Venezuela, mas sim contra o tráfico de drogas, retomando o discurso de que criminosos, viciados e pessoas com transtornos mentais estariam sendo enviados ao território americano. O presidente voltou a dizer que pretende estar “no controle” da Venezuela no futuro, com apoio de integrantes do alto escalão de seu governo, como o secretário de Estado Marco Rubio, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o vice-presidente J. D. Vance.
No mesmo dia, a vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse como líder interina da Venezuela, em cerimônia na Assembleia Nacional. Ela declarou lealdade a Nicolás Maduro, disse assumir o cargo “com pesar” após uma “agressão militar ilegítima” e não sinalizou disposição para atender às exigências de Washington. Apesar disso, Trump afirmou que Delcy estaria cooperando com os EUA e indicou que sanções contra ela podem ser suspensas. Ele negou que tenha havido acordo com autoridades venezuelanas para a captura de Maduro.
Segundo Trump, Marco Rubio mantém contato direto com a líder interina. O presidente também comentou a operação militar que resultou na prisão de Maduro, realizada no sábado (3), envolvendo cerca de 200 soldados americanos. A ação enfrentou resistência mínima, não teve baixas entre militares dos EUA e deixou ao menos 40 mortos entre guarda-costas, militares e civis venezuelanos. Trump negou que tenha havido acordo secreto com setores do regime.
Por fim, o presidente rejeitou reportagem do The Washington Post segundo a qual teria afastado María Corina Machado, principal nome da oposição, por ela ter recebido o Nobel da Paz, afirmando que o prêmio não influenciou sua decisão.