O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “uma desgraça” a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as tarifas de importação impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977. Por 6 votos a 3, a Corte entendeu que o presidente não pode aplicar tarifas amplas sem autorização expressa do Congresso.
Mesmo após a decisão, Trump afirmou que a Corte “não vai detê-lo” e anunciou que pretende impor uma tarifa de 10% a todos os países utilizando a Seção 122, que permite medidas temporárias por até 150 dias. Também sinalizou o uso da Seção 301, mecanismo que autoriza tarifas após investigação sobre práticas comerciais consideradas ilegais.
O presidente da Corte, John Roberts, argumentou que, se o Congresso quisesse conceder poder explícito para impor tarifas, teria feito isso de forma clara na legislação. A decisão mantém válidas apenas tarifas aplicadas com base na Seção 232, voltadas a produtos como aço, alumínio, madeira e automóveis, sob justificativa de segurança nacional.
A derrota é vista como um revés político e econômico para Trump. Economistas do Penn-Wharton Budget Model estimam que os EUA podem ser obrigados a devolver mais de US$ 175 bilhões arrecadados com as tarifas.
O Brasil acompanha o desdobramento com expectativa. Parte das exportações brasileiras ainda enfrenta sobretaxa de 40%, afetando cerca de 22% dos embarques ao mercado norte-americano, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Apesar das tarifas, o déficit comercial dos EUA caiu apenas 0,2% em 2025, para US$ 901,5 bilhões. O emprego industrial recuou, a inflação fechou o ano em 2,9% e o déficit em bens de consumo atingiu recorde. O governo informou que deve recorrer da decisão.