Trump endurece discurso na ONU e ameaça uso de força nas Américas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom de confronto em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU nesta terça-feira (23), ao ameaçar usar força militar para defender interesses americanos no Hemisfério Ocidental e elevar a pressão sobre o Irã.

Ao falar sobre o combate ao narcotráfico, Trump comparou os cartéis ao Estado Islâmico, chamando-os de “ISIS do Hemisfério Ocidental”. Segundo ele, os grupos utilizam assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror.

“Os EUA não permitirão mais que ameaças ao país ganhem espaço em qualquer parte do hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger os interesses nacionais vitais dos EUA”, afirmou.

Trump também citou a Venezuela para destacar o poder militar americano. Segundo o presidente, o país possuía equipamentos militares avançados fornecidos por outras nações, mas isso não foi suficiente para impedir a ação dos EUA.

Embora não tenha mencionado o Brasil ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump lembrou que seu governo classificou cartéis como organizações terroristas. Em maio, duas facções brasileiras, o PCC e o Comando Vermelho, também foram designadas pelo governo americano como organizações terroristas.

Sobre o Irã, Trump afirmou que Washington terá de escolher entre um acordo e a destruição da República Islâmica. Apesar do tom ameaçador, disse acreditar que os dois países poderão chegar a um acordo após as eleições legislativas americanas de novembro.

O presidente também abordou Cuba, afirmando que o governo de Havana mantém relações com grupos de esquerda nos EUA. A delegação cubana deixou o plenário durante seu discurso, e o chanceler Bruno Rodríguez acusou Trump de propagar “mentiras”.

Na área de tecnologia, Trump afirmou que não pretende adotar medidas para frear o desenvolvimento da inteligência artificial e disse que seu governo passará a utilizar o termo “superinteligência”.

A passagem de Trump por Nova York inclui ainda encontros diplomáticos, entre eles uma reunião com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.

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